Já vi decisão estapafúrdia da Justiça, mas iguais às de ontem, estou para pensar. Se eu tivesse que decidir pela Rede Globo, também cancelaria o debate entre os presidenciáveis, que deveria acontecer ontem, por insegurança jurídica.
Quebra-se assim uma tradição, que é o debate entre os candidatos às vésperas da ida às urnas. A bagunça tem o seu propósito, claro.
A primeira e mais curiosa decisão foi da ministra do TSE, Estela Aranha. Como o próprio nome diz, ela resolveu ser o extremo da ambiguidade para se intrometer em uma questão que não compete a ela. Aranhou.
Segundo a teia de ideias da senhora, a emissora não poderia mostrar a cadeira vazia de Lula, que resolveu fugir do debate, assim como não podia mostrar a pergunta que seria feita a ele. Quer mais intromissão à liberdade de expressão do que isso?
O cara não vai e não pode dizer que ele não foi. Em TV, uma imagem vale muito mais do que mil palavras, como diria o chinesinho vendedor de goiabas. Mas a ministra, que não está no bolso de Lula, resolveu, por uma decisão ilógica, a favor do apedeuta.
Depois vêm Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e Carmen Lúcia, ministros que negaram a participação de Renan Santos no debate da emissora, após a desistência de Lula. Por fim, Gilmar Mendes autorizou a ida do candidato do Missão, mas na virada da tarde para a noite. O encontro seria às 21h30.
Se queriam tumultuar o debate em favor de Lula, os mestres em atrapalhada conseguiram. São atrapalhadas aranhas pensadas com certa antecedência. Mas eles não estão ao lado de Lula, estão no caixa de mágicas do ilusionista, que foi ao Flow Podcast discursar ao vento virtual, que sopra para todos os lados.
O que aconteceu ontem com a Justiça brasileira é um exemplo de paranoia simulada instalada no STF, em que ninguém conversa com ninguém, mas com resultado dentro do previsto. Lula não queria outro candidato falando mal dele em rede nacional e conseguiu. Lula não queria que aparecesse sua mão na decisão, e não conseguiu.
Lula queria também falar sozinho em um canal amigo, e conseguiu. Seu público estimado foi de 1,6 milhão de pessoas no Flow. Se compararmos com o público estimado da Globo no mesmo horário, seriam cerca de 28 milhões em todo o Brasil. Só na Grande São Paulo, seriam mais de 4,6 milhões. Suponho que Lula conseguiu falar sozinho. Eu dormi.





