Quando observamos o cenário político brasileiro, é possível chegarmos à máxima de que todo homem tem seu preço. Pelo menos os nossos representantes políticos devem ter um cifrão de tabela já pré-estabelecido. Ou não apenas eles?
Um amigo me diz que a corrupção está sempre muito próxima de nós e dependemos apenas de uma oportunidade para mergulharmos nesse pântano de vantagens.
Difícil saber qual foi o critério usado por Daniel Vorcaro, por exemplo, para definir os valores monetários dos homens que ele corrompeu e se locupletaram, se corrompendo.
“Este é do STF, vale mais!”
“Este é o presidente do Congresso, tem força!”
“Este é um político de merda, mas se não dermos algo para ele, vamos ter problemas!”
“Este pode ser presidente da República”
É assim que as coisas funcionam?
Esta especulação é barata. Barata? Talvez seja uma ideia de merda, mas tem força. Ela foi contada pelo brasilianista Matthew Shirts, em uma de suas crônicas no jornal Estadão de antigamente, quando os dinossauros andavam pela terra, como se diz.
Ele participava de uma palestra em seu curso de sociologia, na Universidade de Berkeley, e o professor que defendia certas teses esquisitas no tabalhado disse a frase lapidar: “Todo homem tem seu preço”.
Houve silêncio generalizado, até por parte do pessoal do fundão. O que estaria dizendo de novo aquele senhor, que misturava moral, dignidade e corrupção em um mesmo balaio?
Até que uma alma ativa, lá mesmo do fundão, lançou uma pergunta, assim que o debate foi aberto para participação geral.
“O senhor disse que todo homem tem seu preço, certo?” O palestrante confirmou. “Certo!”.
“Então me diz”, prosseguiu o estudante atrevido. “Quanto o senhor quer para mudar de ideia?” Houve muita gargalhada, evidentemente. Não recordo qual foi a resposta. Certamente, o velho “Veja bem” deve ter sido sacado na eminência do vexame.
O fato é que vivemos nessa vibe. Nos falta a oportunidade para participarmos de uma boa corrupção, daquelas gordas, que vai nos tirar da letargia financeira?
Ou temos ainda que nos submeter a certos julgamentos morais que nos controlam lá no fundo de nossa alma? Talvez Machado de Assis tenha sido bem mais criterioso em sua abordade sobre o mesmo tema. “A ocasião faz o furto. O ladrão já nasce feito!”.




