Le Pétomane, o homem que peidava a Marselhesa
Esta história é verdadeira e está no livro “O último suspiro de César”
O nome do francês é Joseph Pujol. Sua história está no livro “O último suspiro de César”, onde o assunto principal é sobre os gases. O escritor Sam Kean não é apenas um jornalista especializado em temas científicos. Foi também ganhador do prêmio “Livro de Ciência do Ano” do “The Guardian” pela obra, publicada no Brasil pela editora Zahar.
Mas o que tem Pujol a ver com gases? Ele peidava com tanta maestria que era capaz de tirar a Marselhesa pelo fiofó. Eu disse que ia trazer este assunto novamente à pauta. Está aqui, com o subtítulo “A história épica do ar à nossa volta”.
Tudo que escrevo a seguir faz parte da obra. Pujol estava na praia ainda jovem quando inalou um bocado de água e achou que ia morrer. Mas logo em seguida a água salgada esguichou pelo seu reto e ele ficou bem. Fez a mesma coisa já adulto, quando estava no exército francês, em uma exibição aos seus amigos.
Claro, aos poucos ele descobriu que administrar água seria apenas em casos esporádicos e experimentou fazer o mesmo com o ar. Após vários exercícios e posições, um certo dia Pujol soltou o mais épico pum da sua vida. Essa destreza para administrar o próprio ar foi exibida aos seus amigos do exército, novamente. O pessoal ficou impressionadíssimo. Era um fenômeno.
Segundo Kean, um adulto produz uma média de 1,4 litros de gases flatulentos por dia, só com a decomposição de carboidratos e outros alimentos, como repolho, por exemplo. Depois de muito treino, Pujol descobriu que podia peidar de forma controlada, sob temperatura e pressão, por uns 15 segundos sem interrupção.
O treino o levou a peidar notas musicais. Com um bigodinho característico, começou a se exibir em 1880, sob o pseudônimo de Le Pétomane – O Flatulista. Em 1892, já estava no palco da boate Moulin Rouge, em Paris. Para conseguir o emprego, tocou uma serenata para o empresário. Contratado.
A história de Kean é de que, em apenas dois anos, Pujol tornou-se o artista mais bem pago da França, recebendo 20 mil francos por alguns espetáculos. Ganhava o dobro da atriz Sarah Bernhardt. Ele cumprimentava o público de acordo com a característica da plateia, imitava bicho, enfim.
Fumava pelo ânus e soltava anéis de fumaça. O gran finale? A Marselhesa.
As mulheres de espartilho riam tanto que desmaiavam. Um homem teve parada cardíaca. O Moulin Rouge se aproveitava da situação. Colocava enfermeiras de plantão e anunciava que o espetáculo era muito perigoso. A casa enchia.
Seus amigos em Paris? Renoir, Matisse. Ravel e até Freud, que, segundo a lenda, se aproveitou dos peidos de Le Pétomane para escrever sobre fixação anal.
A história segue. Houve desentendimento entre o artista e o dono da casa. Le Pétomane acabou abrindo seu próprio estabelecimento, mas não foi para frente. Até que começou a Grande Guerra e a vida de Pujol ficou difícil, uma vez que o público desapareceu da convivência social como era antes. Abriu uma padaria e assim foi até a sua morte, três meses após o Dia da Vitória, em 1945.
Os médicos eram loucos para saber o que de fato acontecia com o corpo daquele homem. Chegaram a pedir autorização para a família a fim de analisá-lo. Mas um filho respondeu: “Há algumas coisas nesta vida que simplesmente devem ser tratadas com reverência”. Não autorizaram.



