Como as mesmas leis da física conectam tremores de terra, futebol e supernovas? Boletim explica
Boletim “Dia e Noite com as Estrelas”, do IAG/USP, explica tudo

O que um tremor de terra sentido na Venezuela, a trajetória acrobática de uma bola de futebol em um gol inesquecível e a luz milenar emitida pela Cintura de Órion têm em comum? À primeira vista, parecem fenômenos desvinculados, operando em escalas incomensuráveis. No entanto, a edição de julho do boletim Dia e Noite com as Estrelas (DNCE), produzido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, revela que todos esses eventos são capítulos encadeados de uma única e fascinante história, regida pelas leis fundamentais da física.
“Essa edição atravessa escalas que parecem não ter nada em comum, mas todas obedecem às mesmas leis. Se há um convite nesta edição, é este: olhar para um tremor de terra, para um chute em uma bola, para uma estrela ou para o fundo do mar não como fenômenos isolados, mas como capítulos da mesma história da física”, afirma Artur Arenque, do IAG, no editorial da publicação. O download está disponível gratuitamente neste link.
O artigo Por Dentro dos Terremotos na Venezuela, de Mariana Pontes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), destaca que a geofísica revela a Terra como um sistema dinâmico e integrado. Um abalo sísmico que faz o solo tremer sob os pés na Venezuela é resultado do rearranjo tectônico da crosta terrestre. Contudo, o planeta também passa por transformações globais contínuas: à medida que as calotas polares derretem e redistribuem massas de água em direção ao Equador, o momento de inércia da Terra se altera. Essa redistribuição provoca uma variação mensurável na velocidade de rotação do planeta, modificando a duração dos dias em frações de milissegundos.
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Já o artigo O Gol que Virou Aula de Física, de autoria de Artur Arenque (IAG) e Rafael Tasca, do Instituto de Física (IF), aborda a dinâmica dos fluidos por meio do esporte. O célebre “gol de placa” marcado pelo jogador Roberto Carlos em 1997, cuja trajetória curva parecia desafiar o senso comum, é explicado pelo Efeito Magnus. A variação de pressão gerada pelo giro da bola no ar segue os mesmos princípios que regem os fluidos terrestres e a mecânica orbital. As mesmas leis da gravitação e da conservação do momento angular que explicam o movimento da bola em campo também mantêm os satélites artificiais ao redor da Terra e os planetas em órbita do Sol.
O artigo Do Pó ao Pó – A Genealogia Cósmica de Órion, de Alexander B. Auler Meyknecht (IF), conta que a luz que hoje contemplamos partiu dessas estrelas há mais de mil anos. Em poucos milhões de anos, um piscar de olhos em escala cósmica, essas gigantes explodirão como supernovas, espalhando pelo meio interestelar os elementos químicos pesados forjados em seus núcleos, que servirão de matéria-prima para a formação de novos planetas, rochas e oceanos.
Em Oásis Sem Sol, também de Artur Arenque (IAG), o autor explica que, nas profundezas da planície abissal dos oceanos terrestres, onde a luz do Sol é totalmente ausente, a vida encontrou formas alternativas de existir, prosperando por meio da quimiossíntese ao redor de fontes hidrotermais. Essa resiliência biológica fornece o modelo teórico utilizado por astrobiólogos na busca por vida extraterrestre nos oceanos subterrâneos de luas congeladas do Sistema Solar, como Europa (de Júpiter) e Encélado (de Saturno).
O boletim
Lançado em setembro de 2020, o boletim Dia e Noite com as Estrelas tem o objetivo de levar a todos os interessados temas de grande relevância na astronomia, em linguagem acessível, como eventos, informações do céu noturno no período correspondente, seção de perguntas e respostas, entre outros tópicos. O boletim é mensal e gratuito. Confira a última edição do boletim neste link: https://www.iag.usp.br/sites/default/files/2026-07/DNCE_07_ANO_26_JULHO.pdf.
Acesse as edições anteriores clicando aqui: https://www.iag.usp.br/astronomia/boletim_dnce
Mais informações pelo e-mail: contatodncestrelas@gmail.com.
Matéria: Izabel Leão | Jornal da USP.




