Linfoma: especialista esclarece as principais dúvidas sobre a doença
Sintomas, fatores de risco, tipos da doença, formas de investigação e novas possibilidades de tratamento estão entre os temas abordados pelo hematologista André Gervatoski durante o Agosto Verde-Claro
O médico hematologista André Gervatoski, diretor técnico da Santa Casa de Piracicaba
O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo. Apesar dos importantes avanços registrados nas últimas décadas no diagnóstico e no tratamento, a doença ainda desperta muitas dúvidas entre a população. Sintomas, fatores de risco, formas de diagnóstico e possibilidades terapêuticas costumam gerar questionamentos que, muitas vezes, retardam a procura por avaliação médica.
Durante o Agosto Verde-Claro, campanha dedicada à conscientização sobre o linfoma, o hematologista André Gervatoski (CRM/SP 88.074), diretor técnico da Santa Casa de Piracicaba, esclarece algumas das principais dúvidas sobre a doença e explica como a evolução da hematologia vem proporcionando diagnósticos mais precisos, tratamentos cada vez mais eficazes e melhores perspectivas de qualidade de vida para os pacientes.
O que é o linfoma?
O linfoma é um câncer que afeta o sistema linfático, formado por linfonodos, vasos linfáticos, baço e outros órgãos responsáveis pela defesa do organismo. Existem diversos tipos da doença, sendo os mais conhecidos o linfoma de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin, que apresentam características, comportamentos e tratamentos diferentes.
Todo aumento dos gânglios (ínguas) significa linfoma?
Não. O aumento dos linfonodos é muito comum durante infecções e processos inflamatórios. No entanto, quando os gânglios permanecem aumentados por várias semanas, aumentam de tamanho progressivamente ou surgem acompanhados de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica para investigação.
Quais são os principais sinais de alerta?
Entre os sintomas mais frequentes estão o aumento persistente dos gânglios, febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso involuntária e cansaço persistente. Esses sinais não confirmam, por si só, a presença da doença, mas indicam a necessidade de investigação médica.
Quem tem mais risco de desenvolver linfoma?
O linfoma pode acometer pessoas de qualquer idade. Alguns fatores podem estar associados ao aumento do risco, como alterações do sistema imunológico, determinadas infecções virais e doenças autoimunes. Entretanto, a maioria dos pacientes não apresenta um fator de risco claramente identificado.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela avaliação clínica e pode incluir exames laboratoriais, exames de imagem e, principalmente, a biópsia do linfonodo ou do tecido suspeito. Atualmente, exames anatomopatológicos e imuno-histoquímicos permitem identificar com precisão o tipo de linfoma, informação fundamental para definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Os tratamentos evoluíram nos últimos anos?
Sim. A hematologia está entre as especialidades que mais evoluíram nas últimas décadas. Além da quimioterapia, hoje existem terapias-alvo, imunoterapia e outras abordagens que tornam o tratamento cada vez mais personalizado. Esses avanços aumentaram as taxas de resposta, ampliaram as possibilidades terapêuticas e, em muitos casos, reduziram os efeitos adversos, proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes.
O linfoma tem cura?
Muitos tipos de linfoma apresentam elevadas chances de cura, especialmente quando diagnosticados precocemente e tratados de forma adequada. Mesmo quando a cura não é possível, os avanços terapêuticos permitem controlar a doença por longos períodos, oferecendo mais qualidade e expectativa de vida aos pacientes.
O diagnóstico precoce faz diferença?
Sem dúvida. Quanto mais cedo o linfoma é identificado, maiores são as possibilidades de iniciar rapidamente o tratamento mais indicado e alcançar melhores resultados. Por isso, sintomas persistentes não devem ser ignorados e merecem avaliação médica.
Conhecimento é essencial!
Segundo André Gervatoski, a informação continua sendo uma importante aliada da saúde. “Muitas pessoas ainda desconhecem os sinais do linfoma ou acreditam que o aumento dos gânglios sempre está relacionado a infecções comuns. Esclarecer essas dúvidas ajuda a população a procurar atendimento no momento certo e contribui para um cuidado mais seguro e eficaz”, finaliza.




