Lula não convive bem com divergências de opinião, o que demonstra seu preparo inadequado para ocupar a função em que se encontra, de presidente da República. É recorrente, em suas falas públicas, afirmar que a imprensa só sabe criticar o que ele faz. Será que ninguém nunca lhe ensinou que a imprensa é para criticar o governo mesmo, e não para elogiar? No plano político e econômico, a imprensa é para ver o que está acontecendo de errado, e não o que foi feito corretamente? Fazer o correto é uma obrigação do governo A imprensa observa, portanto, o que não funciona. Se fosse para elogiar, não haveria motivo para ela existir, a não ser como chapa-branca.
O gosto pela bajulação é típico de governos autoritários. O curioso disso é que o PT se diz um partido democrático, mas não gosta de viver a democracia em sua plenitude. Nunca gostou. Para ser mais sincero, gosta apenas quando vence uma eleição. Depois, passa. É só perder que vem aquela golfada de autoritarismo. Ou, como agora, quando Lula tem que admitir seus próprios erros. E olha que seu governo “anterior” nem terminou ainda, e ele já está sendo obrigado a fazer mea-culpa antes do final de uma gestão e do início da próxima. Para ele, isso é quase insuportável, o que fica evidente em sua expressão diante das câmeras.
Depois de uma vitória bem apertada, com metade da população em seu encalço, Lula terá que fazer um governo muito difícil, carregando a herança maldita que ele mesmo fabricou. Então, não tem a quem reclamar, a não ser ao próprio espelho. No entanto, ele parece não admitir que os descaminhos do país para se chegar a uma inflação tão alta e a uma situação de tamanho desequilíbrio econômico foram traçados pela sua própria natureza. Por isso, ele teve que apelar ao medo para vencer seu adversário na última eleição, porque, se fosse uma disputa sem tais distorções, ele estaria se aposentando neste momento. Mas está aí, tendo que dar explicações estapafúrdias.
Sem um diagnóstico honesto e sincero, Lula terá muita dificuldade para resolver os problemas do país. Não adianta jogar a culpa nas costas da imprensa e dar uma de vítima. Esse é o tipo de conversa que não cola mais e fica até ridícula para um homem com tanta experiência e habilidade para compreender a dinâmica social. Quanto mais ele insiste em tentar tirar os problemas do seu colo, mais vergonhoso fica.
Temos observado aqui no site viletim.com.br que o presidente terá que fazer alguma coisa que constava de um eventual plano de governo do seu adversário político, Flávio Bolsonaro, como um tesouraço. Evidente que isso pode ter outro nome e outra dinâmica, mas o governo vai ter que cortar muitas benesses para sair dessa crise. Um país não se desenvolve com inflação elevada como a do Brasil, e vislumbra-se, inclusive, uma estagflação para 2027, se nada for feito nesse sentido.
A interpretação mais natural, nesse ambiente de exercício de despiste, é que Lula está tentando criar um culpado para transferir seus problemas. Seria uma forma de ofuscar o espectador, especialmente o seu eleitorado, que acreditou na tese de que tudo seria melhor no ano que vem. Mas não vai ser. Especialmente se o presidente persistir, em seu impasse mental, em não agir contra seus instintos.
Aceitar que o país está encalacrado é uma forma razoável para tomar as medidas corretas. Pois adiar essa análise e conclusão só prolonga a dor e acentuará imensamente as complicações, o que afetará todo mundo. O fato é que, onde Lula mexer, ficará evidente apenas que muitas das benesses deste ano, por exemplo, foram dadas simplesmente para se reeleger, porque o país não tinha as menores condições financeiras para tal.
Inflação
A inflação é a consequência natural de um quadro econômico deteriorado. Ela só cresce em ambiente adverso. Com isso, os preços dos produtos da cesta básica permanecem nas alturas. Quem paga a conta? O povo, especialmente os mais pobres. Por isso se diz que o que é dado com uma mão pelo governo é tirado com a outra. Só que a inflação não corrói apenas a renda dos pobres, mas também a da classe média. Daqui a pouco, todo o país estará na lona.
Os empresários também estão sentindo o drama. Eles precisam de financiamento, seja para rolar suas dívidas ou para investir. Mas os bancos estão com suas linhas de crédito interditadas por juros proibitivos. Com isso, o colapso se anuncia. Forçar uma linha de crédito menor para o setor produtivo de forma artificial seria apenas mais um jeitinho de tentar ludibriar a realidade e aumentar a inflação para que a população pague as contas.
Por que funciona assim? Porque a dívida pública é uma das principais balizadoras da taxa Selic. Nem mesmo um Banco Central amigo consegue fechar os olhos diante do escândalo das contas do governo Lula. Como ele só pensa em gastar, desrespeita o princípio básico da economia, que é o da escassez de recursos, o que exige critérios e boa gestão. Se os recursos forem usados indevidamente, a conta vem, e vem pesada. Como está acontecendo agora. Lula sabe as verdades dos fatos, mas, quanto mais argumenta no sentido contrário, mais obscuro fica seu discurso e mais a imprensa cai em cima para tentar entender. Para se livrar da imprensa, só fazendo a coisa certa e sendo claro.




