Lula "puxa a orelha" do PT em evento
E cita Piracicaba como um centro onde o partido perdeu poder
Na festa de aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, no último sábado (07), o presidente Lula disse que o partido “não está com essa bola toda”, referindo-se à perda de influência. Lamentou também das cidades importantes que foram um dia governadas pelo partido, por conta de disputas internas do PT.
No discurso, no qual Lula referiu-se aos problemas do partido no tom de uma discussão de relacionamento, o presidente enfatizou a perda de cidades importantes:
“O PT governava 24 milhões de pessoas na Grande São Paulo. O PT governava Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá, Campinas, governou Piracicaba. Hoje o que o PT governa? O que aconteceu? O que aconteceu? Alguma coisa. Em algum momento nós erramos. Em alguma coisa nós erramos. E ter capacidade para dizer aonde nós erramos para corrigir. A gente não pode continuar persistindo no erro. O PT em Santo André era um PT extremamente organizado. Era símbolo. O que aconteceu com o PT em Santo André? As brigas internas acabaram com o PT”, disse Lula, em tom inflamado.
Afirmou ainda que o PT não está “com essa bola toda em todos os Estados” e que há lugares em que precisa recorrer a coligações com outros partidos para vencer.
Lula critica PT por emendas do Congresso
O presidente criticou o próprio partido, ao comentar a atuação do PT no orçamento secreto. Lula afirmou que houve um “sequestro” do orçamento do Executivo e que “não é normal” o Congresso aprovar mais de R$ 60 bilhões em emendas parlamentares. Em tom de bronca, classificou como “grave” o fato de o PT ter dado aval a essa votação.
Fim do “Lulinha paz e amor”
Procurando inflamar a militância do partido, Lula colocou-se à disposição para as eleições de outubro, que afirmou entender ser uma “guerra”. Disse estar à disposição como “um timoneiro” (possível referência a Mao Tse-Tung, que a propaganda chinesa chamava de “Grande Timoneiro”) mas não como um “general”. “General sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês”.
Afirmou ainda que a militância precisa defender o governo e permanecer mobilizada nas redes sociais: “Nós temos que ser mais desaforados porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem mais essa de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra".
Discurso antissistema
Lula também criticou o sistema político atual: “A política apodreceu. Como é que está o mercado eleitoral deste país? Você sabe quanto custa um cabo eleitoral, você sabe quanto custa um vereador ou o preço de cada candidatura neste país, o que é uma vergonha”.
“Vocês têm a obrigação moral, a obrigação ética de não deixar esse partido ser um partido que vai para a vala comum da política desse País”, disse Lula, dirigindo-se aos partidários.
A fala pode ser um sinal do tipo de discurso que o presidente adotará na campanha eleitoral que acontece neste ano, apontando para uma fala do tipo “antissistema”, a exemplo da que adotava antes de ser eleito pela primeira vez como presidente, em 2002, e depois por candidatos como Pablo Marçal, Romeu Zema e Jair Bolsonaro.




