Como a disputa pela presidência da República está a cada dia mais apertada para os dois candidatos que lideram as pesquisas, qualquer pontinho ganho nelas é uma imensidão.
Nessa linha, vale tudo, inclusive tentar trapacear com o imaginário do eleitor que ainda não decidiu pelo menos pior para votar. Mas só cai nessas brincadeiras quem quer, porque a movimentação é tão ridícula que o oportunismo fica evidente.
Falo, por exemplo, de Lula e de seu ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele tem afirmado, segundo o jornal Estadão de hoje (25), que pretende conversar com Pedro Malan e Armínio Fraga sobre a agenda fiscal do presidente em caso de um novo mandato.
São economistas sérios, que já escreveram muito sobre reforma tributária e os caminhos a seguir por um governo responsável. Mas qualquer pessoa minimamente instruída sabe que Lula nunca respeitou a ideia de que os gastos do governo precisam ser controlados.
Lula trabalha com as circunstâncias e alimenta a fantasia de que dinheiro público foi feito para gastar indiscriminadamente, sem medir consequências, além daquela que o mantém no poder.
Para o mandatário atual, dinheiro dá em árvore, e o governo parece não ser capaz de dimensionar que seu gasto indiscriminado é o mesmo que alimenta o endividamento oficial. A dívida pública é a mesma que alimenta os juros altos. Os juros altos são os mesmos que alimentam a inflação e encarecem a vida do trabalhador.
O governo que diz estar ajudando o povo é o mesmo que está ferrando o povo, com um endividamento fora de medida, impagável, que amplia a dificuldade das famílias.
Para Durigan, os dois economistas consultados vão dizer: “Para resolver o problema fiscal, você precisa começar a agir como se o governo não fosse do PT. Porque dinheiro não dá em árvore, e os recursos de impostos não podem funcionar como força-motriz da inflação. Isso prejudica a economia e empobrece, na média, todos os brasileiros. As empresas estão fragilizadas, e a reforma tributária deve equilibrar os impostos de quem gera a riqueza nacional”.
Segundo editorial do Estadão, os números oficiais falam por si. “A dívida bruta do governo geral – dado do Banco Central que inclui os governos federal, estaduais e municipais, além do INSS – aumentou nada menos que dez pontos porcentuais ao longo do terceiro mandato do petista, saindo de 71,38% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2023, para 81,9% do PIB em junho, o maior patamar dos últimos cinco anos”.
Impossível pensar que o PT vai deixar de ser o PT. Que Lula vai deixar de ser Lula e que o cidadão vai deixar de ser tratado como um idiota, que pode ser manipulado a todo momento. Durigan age hipocritamente. É um demagogo a pedido de Lula, que tenta abrir um pontinho de Flávio, vendendo uma ideia que ele jamais vai seguir.




