Maduro caiu de maduro
Ele poderia muito bem ter saído como herói se aceitasse o resultado da última eleição para presidente em seu país
Imagem ChatGPT
Particularmente, eu não gostaria que o poder de Nicolás Maduro na Venezuela terminasse de forma abrupta como se deu na madrugada deste sábado (3), por intervenção militar americana. Mas ele é um cabeção e perigoso. Poderia muito bem ter saído como herói se aceitasse o resultado da última eleição para presidente em seu país. Teria entregado o bastão ao seu sucessor, Edmundo González Urrutia, e ido para a Rússia (Sibéria, talvez) passar o resto da sua vida, na paz de um horizonte branco e límpido.
Por mais que lamentemos a forma, não haveria outra maneira de dar um basta ao ditador, a não ser via intervenção e no porrete, porque o homem é obstinado e queria se perpetuar em uma ditadura sanguinária que só deteriorava a vida do povo venezuelano. Já vai tarde, portanto.
Maduro recebeu em vida o mesmo tratamento que tem dado ao seu povo, especialmente aos seus opositores.
Na entrevista de Donald Trump, enaltecendo a ação, agora à tarde, só não gostei da maneira como ele tratou a opositora de Maduro, Maria Corina Machado, que tem lutado bravamente para que a democracia volte a reinar na Venezuela. Graças a ela, González Urrutia foi eleito, uma vez que seu nome foi banido das urnas de forma unilateral e autoritária pelo ditador Maduro. Dizer que a mulher não tem o apoio do povo venezuelano, acho que não soou bem. Espero que, com as novas eleições por lá, ela seja candidata e possa afirmar a verdade.
Agora, temos que esperar para ver o que de fato Trump tem a oferecer ao país, ao povo venezuelano. Se a transição for um jogo rápido, transparente e democrático, terá todo o sucesso do mundo. Agora, se ficar evidente que a ação servirá apenas para os EUA se apossarem da riqueza natural da Venezuela, o presidente americano abrirá rapidamente cisões políticas que podem comprometer seus propósitos.
Eliminar o terrorismo e o narcotráfico, esta é a promessa básica de Trump. Porque a Venezuela se tornou mesmo um território do narcotráfico e isso é terrível, inclusive para o Brasil. Se for por este caminho, de combate ao crime, com abertura de novas frentes de trabalho para a população local, novamente se deve vislumbrar sucesso na operação bem-sucedida até aqui.
No Brasil, as “viúvas de Maduro”, como afirma o senador Sérgio Moro, certamente vão levantar bandeira nas redes sociais, como já começaram, segundo ele. Mas isso é coisa passageira. A realidade se impõe e não há tempo para se perder com bobagens ideológicas. Quem gosta de ditador, boa viúva não é, só para desdobrar uma reflexão que me veio. De tudo o mais, é só ficar atendo ao sonolento Trump, que muda de ideia com o vento. Basta ver sua leitura sobre a guerra na Ucrânia na últimos meses de 2025.
Parece que agora ele está se ajustando à realidade e dando o devido apoio ao exército ucraniano, que combate a invasão de um facínora chamado Putin. Bons sinais? Talvez. Sinais de mudanças positivas? Esperemos com fé o melhor para a Venezuela e para a Ucrânia. Trump começa a se impor como o representante de um governo forte. Que a inteligência e o bom senso também esteja ao seu lado. Já Maduro, caiu de maduro.




