“Mais de mil cancela na estrada dos desengano”
O fim da reeleição para presidente é uma boa ideia?
A reeleição para presidente é um problema grave. Um mandato de apenas 5 anos estaria mais do que suficiente. A possibilidade de reeleição causa embaraço aqui e nos EUA. Não fosse isso, Donald Trump estaria jogando golfe ou vendendo terreno no mar para Vladimir Putin e não provocando o mundo com ideias tortas e perigosas.
O Brasil, por sua vez, não teria a infelicidade de um segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC). O tucano teria ficado para a história como um dos maiores presidentes da contemporaneidade, com o Plano Real. Mas o maldito segundo mandato o colocou no inferno das negociações parlamentares e na abertura da porta para as emendas parlamentares “sem destino definido”.
Lula não se cansa de ser presidente. Ele acha gostoso. Viaja muito. Fala bobagem para multidões. É paparicado pelos seus dependentes e puxa-sacos. Defende criminosos com o aval da liberdade que lhe compete. Negocia emendas parlamentares conforme a necessidade. E, ainda assim, pode tentar se eleger mais uma vez. Nem vou falar aqui de corrupção.
A reeleição atrasa o país. Num primeiro mandato, o eleito tenta fazer algo que preste, mas somente nos primeiros dois anos, depois começa a festa (articulações) para fazer votos (alianças) que lhe garantam permanecer no poder. Nesse sentido, a reeleição corrompe. E corrompe ainda mais quem já não tem lá os seus princípios.
Os eleitores brasileiros precisam aprender que ser chefe do Executivo não é uma profissão, mas uma oportunidade única de o eleito fazer algo pelo país, com sua experiência. Depois, adiós, bambino. Que venha o próximo. Assim, teríamos mais democracia, mais abertura partidária, mais sucessores naturais, sem que o poder fique concentrado em apenas uma pessoa ou grupo.
A concentração de poder leva ao caciquismo. Assim está o Brasil desde as caravelas, com suas variações. O agravante é que um cacique corre o risco de ser sucedido por outro cacique, que também quer o poder para se firmar nele durante quanto tempo puder, e não arrumar o país. Cinco anos são mais do que suficientes para o eleito provar a que veio. Depois, vai cuidar da sua horta.
Com a reeleição, toda a estrutura política fica deformada. Os partidos se organizam para se fixar no poder e não sair mais. O sucessor é apenas para segurar o lugar até ele voltar. Essa deformação é um equívoco difícil de corrigir, porque o circo já está montado para uma determinada finalidade e o picadeiro, sempre lotado de oportunistas, que querem sua parte em vantagens de poder, por tempo vitalício, se for possível. E por falar em vitalício, já basta o Poder Judiciário, outro problema a ser discutido.
Fazer o sucesso, por sua vez, em uma conjuntura de apenas uma eleição, seria uma demonstração de que o presidente que será substituído, fez um bom governo. Uma vez que não poderá voltar mais ao poder. Evidente que a margem de falcatrua também está presente nessa segunda modalidade. Mas já é um começo para sairmos desse inferno, em que entra ano, sai ano, “bati mais de mil cancela na estrada dos desengano” (by Elomar).




