Manejo populacional de capivaras no Parque da Rua do Porto visa prevenir casos de febre maculosa
Empresa especializada em fauna silvestre e autorizada pelo DeFau e pelo Estado fará o controle
Parque da Rua do Porto tem população estimada em cerca de 50 capiravas
O manejo populacional das capivaras que vivem no Parque da Rua do Porto deve ser iniciado em breve. A ação é necessária para reduzir o número de animais que vivem no local, um dos principais pontos turísticos do município, e prevenir de casos de febre maculosa.
A empresa que fará o trabalho é a Zoovet Clínica e Consultoria, de Belo Horizonte (MG), especializada em manejo de fauna silvestre e autorizada pelo DeFau (Departamento de Fauna do Estado de São Paulo) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), conforme determina a legislação ambiental. A assinatura da ordem de serviço está prevista para agosto e o contrato tem vigência de 12 meses, com acompanhamento contínuo dos animais.
O manejo será realizado em etapas, conforme a captura dos animais, que ocorrerá no próprio Parque da Rua do Porto. Após passarem pelo procedimento de esterilização, as capivaras serão identificadas por meio de marcação e devolvidas ao parque.
A população de capivaras no Parque da Rua do Porto é atualmente estimada em cerca de 50 animais. O manejo populacional busca controlar o crescimento da espécie, evitar recolonizações, reduzir disputas territoriais e contribuir para diminuir o risco de transmissão da febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela, que tem a capivara entre seus principais hospedeiros.
“A conclusão da licitação representa um passo importante para que possamos iniciar uma ação planejada com responsabilidade técnica e ambiental. O manejo será realizado por empresa especializada, respeitando o bem-estar dos animais e contribuindo para a prevenção da febre maculosa, dentro de uma estratégia permanente de saúde pública”, destaca o secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar.
A Zoovet possui experiência em ações semelhantes realizadas em outros municípios e instituições, entre eles Ponte Nova (MG), Rio Acima (MG), Sesc Goiás e o Condomínio Nossa Fazenda, em Esmeraldas (MG). Neste último, o manejo populacional contribuiu para a redução do número de capivaras de cerca de 200 para aproximadamente 40 animais ao longo de quatro anos de acompanhamento.
DADOS - Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Piracicaba registrou, em 2025, três casos confirmados de febre maculosa, todos com evolução para óbito, reforçando a importância das ações permanentes de prevenção. Em 2026, até o momento, não foi registrado nenhum caso de febre maculosa em residentes em Piracicaba.
“As capivaras desempenham papel relevante na dinâmica de transmissão da febre maculosa, atuando como hospedeiros amplificadores da bactéria Rickettsia rickettsii. Após a infecção, durante um período limitado, esses animais apresentam a bactéria na corrente sanguínea em quantidade suficiente para infectar carrapatos durante a alimentação. Em seguida, desenvolvem resposta imunológica e deixam de atuar como fontes eficientes de infecção para novos carrapatos. Medidas como a esterilização e o manejo populacional contribuem para o equilíbrio da população de capivaras e para a redução do risco de transmissão da doença. Ao evitar o nascimento de novos indivíduos suscetíveis à infecção, aumenta-se gradualmente a proporção de animais imunizados no grupo, reduzindo a circulação da bactéria entre capivaras e carrapatos e, consequentemente, o risco de transmissão aos seres humanos”, explica a gerente de Vigilância em Saúde, Carina Baron.
Além do manejo populacional, a Prefeitura mantém outras ações permanentes de prevenção da febre maculosa, como sinalização das áreas de risco, monitoramento ambiental, educação em saúde e campanhas de orientação à população.




