Metodologia de mapeamento urbano se torna ferramenta para políticas públicas
Patente desenvolvida na USP une literatura especializada, dados e tecnologia para facilitar visualização de problemas urbanos

Identificar problemas e questões para a formulação de políticas públicas em cidades grandes e diversas como São Paulo é complexo. A quantidade de dados e estudos necessários para a melhor resolução por parte da gestão pública é imensa. Nesse sentido, pesquisadores da USP desenvolveram uma metodologia de mapeamento urbano capaz de integrar essas estatísticas e criar um mapa de visualização do território de análise.
O método criado tem o objetivo de auxiliar a gestão pública, facilitando a visualização de problemas em regiões específicas. Luís Antonio Bittar Venturi, professor no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e um dos desenvolvedores da inovação, comenta que o mapeamento ajuda a criar cenários a respeito da realidade dos municípios.
“Existem três vantagens a meu ver. Primeiro, pode ser usado para qualquer tipo de assunto, de gestão ambiental a mobilidade, contanto que tenhamos os dados. Segundo, pode gerar cenários futuros para orientar as ações da gestão pública. Por último, ele pode dar uma possibilidade de monitoramento constante se houver alimentação de dados”, afirma.
O projeto
O projeto começou no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da Universidade e resultou na elaboração de um mapa inédito de vulnerabilidade energética da cidade de São Paulo. A metodologia utilizada pelos pesquisadores chamou a atenção do centro, que sugeriu patentear a descoberta. A solicitação ocorreu em 2018, mas foi aprovada apenas em janeiro deste ano.
Segundo Venturi, o método se baseia na união de três dimensões: teoria, técnica e método. Dessa forma, a leitura atenta da literatura especializada no assunto estudado, abundância de dados sobre a questão e um bom software para integrar todas as informações são essenciais. O objetivo da inovação é mapear qualquer assunto urbano, estabelecendo classes que variam de muito alta a muito baixa.
O primeiro mapa produzido pela equipe de pesquisadores foi sobre a vulnerabilidade energética de São Paulo. A obra foi produzida a partir do cruzamento de vários dados e foi dividida em quatro cores, cada uma indicando a intensidade do problema.

Projeção para o futuro
Em meio à complexidade da metodologia, o trabalho em equipe em diferentes frentes foi muito importante, de acordo com Venturi. “Esse é um procedimento para ser feito em equipe. Dificilmente uma pessoa vai dominar satisfatoriamente todas as dimensões.”
A patente não apresenta qualquer objetivo financeiro e pode ser utilizada por qualquer pessoa. Neste momento, o pesquisador afirma que o principal objetivo é aplicar a metodologia para outras áreas, além da vulnerabilidade energética. Ampliar a escala, para abranger mais territórios, também é um objetivo.
“O Instituto de Energia e Ambiente nos convidou para participar de uma proposta de Centro de Ciência e Desenvolvimento (CCD) da Fapesp. É uma proposta de monitoramento energético do Estado de São Paulo, então agora nós iremos analisar essa realidade em uma escala estadual”, comenta Venturi.
Matéria: Breno Marino | Jornal da USP.




