“Marvada pinga”, cantada pela imortal Inezita Barroso, é uma forma caricata de demonstrar que o cachaceiro é mesmo um forte.
O novo “Imposto do Pecado”, que já vem sendo desenhado pela equipe econômica de Lula para reabastecer os cofres públicos, é um sinal de que a aguardente será de novo a solução para a turma da birita. Porque é mais barata, claro.
Nada de cerveja, que tende a se tornar uma bebida de luxo, para se tomar em casa. Nos bares, o porre será com a marvada.
Os estudantes, por exemplo, vão encher o pote na república e depois sair para os bares para tomar dois dedos de quarqué coisa.
Se os bares vão fechar? Pode ser que não. Vão ter, sim, que se reinventar para atrair o público menos abastado. “Nada que o mer da beia não resorva”.
O governo alega que a bebida alcoólica compromete o SUS, devido aos problemas de saúde pública que ela provoca.
Agora, pergunte se essa tese de mais impostos foi estudada adequadamente para saber se funciona mesmo ou se estamos apenas no plano das hipóteses sociológicas.
Claro que há estudos e projeções sobre os resultados em uma sociedade com maior tributação sobre o álcool, o tabaco e as bebidas açucaradas, uma vez que isso provocaria a redução do consumo, com a consequente melhoria da saúde da população e o aumento da arrecadação pública simultaneamente.
Mas pergunte se o governo tem um plano para investir o montante arrecadado em Saúde. Por isso a dúvida. Será que a iniciativa valeria para o governo Lula, “com sua severa responsabilidade fiscal”?
Por que ele não pensou nisso antes? Somente agora, que o governo precisa de mais recursos para se financiar, aparece a mágica?
Não seria mais fácil acreditar que se trata mesmo de uma forma de fazer dinheiro fácil para tentar minimizar a situação das contas públicas e permitir que Lula dê continuidade às suas gastanças?
Será mesmo que o brasileiro, já empobrecido, vai ter que “vortá pra pinga e pro cigarro de paia”? Ou vai recorrer ao contrabando?
Como confiar em um governo que não demonstra confiança? Não seria mais um porre de hipocrisia diante de tanta desfaçatez? São apenas perguntas e mais perguntas.
Não há duvidas de que há sempre uma forma eficaz de aumentar os impostos sem dar satisfação a ninguém ou dando uma desculpa humanitária genérica, com a finalidade única de colocar a mão grande no bolso do consumidor.




