Master, mais do que um banco
Nascido para ser uma via obscura de recursos públicos surrupiados?
Imagem ChatGPT
Qualquer profissional do mercado que estudasse um pouquinho a situação do banco Master saberia que o seu plano de negócio era absurdo e insustentável.
A insolvência viria apenas por questão de tempo, pois ele simplesmente não estava alicerçado em parâmetros objetivos de mercado.
Sua forma de atuar atraía apenas empresas ruins. O economista Mendonça de Barros explicou tudo isso em uma entrevista ao jornal Estadão de hoje (8).
O projeto Master era tão obtuso que, segundo o economista, até mesmo pessoas que não eram do ramo torceriam o nariz e desconfiariam ao observar o que acontecia na prática, como oferecer rendimentos de papéis acima do que o mercado pagava.
Assim, Mendonça de Barros sintetizou o momento Master, em que as rachaduras nas contas do banco começaram a ficar evidentes:
“Quando uma instituição bancária começa - vale o mesmo para uma empresa - a ter esse descasamento de ativos e passivos, você tem de aportar capital. Aparentemente, houve alguma tentativa, mas, por alguma razão, nunca ocorreu. E, portanto, não tendo esse aporte de capital, o que sobra é o caminho da iliquidez. É preciso deixar claro: não é uma instituição que, de repente, se viu insolvente. É uma instituição que nasceu com o modelo de negócios absolutamente insustentável.”
Feita essa leitura simplificada envolvendo a dificuldade do banco de transitar no mercado financeiro com algum propósito saudável, sobram as relações políticas. Por que será que a esposa de Alexandre de Moraes (ministro do STF) resolveu defender o Master, ao ponto de seu marido ter o descaramento de dialogar de forma obtusa com agentes do BC?
O que levou o ministro Dias Tófoli a arrastar para o STF o caso Master e colocar o processo em sigilo absoluto na corte?
Seria por livre e espontânea vontade a ação do Tribunal de Contas da União, comandada por Vital do Rego, de tentar interferir na decisão do BC de liquidar o banco. Mesmo o TCU não tendo a menor competência para tal?
Agora vem à tona as historinhas cabeludas envolvendo o filho do presidente Lula, que pode estar ligado a esquemas de empréstimos consignados de recursos do INSS via banco Master.
Ele seria, segundo as suspeitas da PF, um sócio oculto do famigerado Careca do INSS. Por enquanto se tem apenas indícios dessa possibilidade. Mas sempre a fumaça denuncia o fogo.
Fazendo essa relação escabrosa, de que o Master nasceu para abastecer políticos com recursos públicos, temos o Congresso Nacional, o STF, vários governos estaduais e municipais em uma ciranda perigosíssima, nada saudável.
Esse é o lado sombrio e insolvente do país. É o Brasil que os brasileiros criticam muitas vezes sem ter informações seguras sobre tal, feito personagem de Nelson Rodrigues, que sabe o porquê está apanhando, mesmo que o cidadão comum, em suas conversas cotidianas, não saiba exatamente o porquê está batendo.



