Médico da Santa Casa orienta sobre prevenção de doenças respiratórias
Com início marcado para 21 de junho, a estação mais fria do ano exige atenção redobrada, sobretudo de crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas
Manfio chama atenção para grupos que merecem acompanhamento diferenciado
O inverno de 2026 começa oficialmente no dia 21 de junho, às 5h25 (horário de Brasília), conforme informações do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária. A estação se encerra no dia 22 de setembro, às 21h05. Mas os sinais do frio já se fazem sentir — e, com eles, os riscos à saúde respiratória da população.
Os casos de síndrome respiratória aguda grave causados pelo vírus influenza quase dobraram entre janeiro e meados de março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde. De janeiro ao meio de março de 2026, o país registrou 3.584 casos de síndrome respiratória aguda grave pelo vírus influenza, contra 1.838 casos no mesmo período de 2025. O cenário antecipou alertas entre profissionais de saúde de todo o país.
Para o médico Luiz Celso Zanotto Manfio (CRM 74.793), da Clínica Médica da Santa Casa de Piracicaba, a chegada do inverno demanda atenção preventiva — não apenas reativa. “As doenças respiratórias não esperam o calendário. O frio, combinado com o ar seco e o hábito de permanecer em ambientes fechados, cria condições favoráveis para a circulação de vírus e bactérias. Quem já tem uma condição crônica precisa estar ainda mais atento”, afirma o médico.
Além da queda de temperatura, o inverno brasileiro é marcado pela baixa umidade do ar e pela escassez de chuva — fatores que potencializam o risco de doenças como gripe, pneumonia, asma, bronquite, bronquiolite, otite e meningite. Com o ar mais seco, a concentração de poluentes aumenta, e os ambientes fechados tornam-se rotas de transmissão de vírus e bactérias.
Manfio chama atenção para grupos que merecem acompanhamento diferenciado. “Crianças têm o sistema imunológico ainda em formação. Idosos apresentam resposta imune reduzida. Já os pacientes com asma, bronquite ou doença pulmonar obstrutiva crônica estão sujeitos a agravamentos que podem resultar em internação”, explica.
Entre as orientações do médico, a vacinação contra a gripe ocupa posição central. O governo federal antecipou a campanha de vacinação em 2026 diante do avanço precoce do vírus influenza no país. “A vacina não elimina toda e qualquer gripe, mas reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de complicações, como a pneumonia. É uma medida acessível e de alto impacto”, diz o especialista.
Manfio orienta que a hidratação seja mantida mesmo quando a sensação de sede diminui com o frio. “Com o ar seco, as mucosas ressecam, e o organismo perde água mesmo sem perceber. Beber água regularmente ajuda a manter a barreira natural das vias aéreas contra agentes infecciosos.”
O uso de soro fisiológico para umidificar as narinas é outra recomendação. “É simples e eficaz. Narinas hidratadas funcionam melhor como filtro. Recomendo especialmente para crianças e idosos, que têm mais dificuldade de lidar com o ressecamento das mucosas”, afirma.
O médico também desaconselha banhos muito quentes por períodos prolongados, pois podem ressecar ainda mais a pele e as mucosas. Manter roupas de cama limpas, evitar aglomerações em ambientes sem ventilação adequada e praticar exercícios regularmente completam o conjunto de cuidados indicados para a estação.
Para pacientes com doenças respiratórias pré-existentes, o recado do médico é direto: não interromper o tratamento. “O inverno é justamente o período em que o controle da doença precisa ser mais rigoroso. Faltar à consulta ou parar a medicação por conta própria pode resultar em crises que eram evitáveis.”




