Médico reforça importância de buscar ajuda ao primeiro sinal de desequilíbrio na saúde mental
Campanha Janeiro Branco utiliza início do ano para conscientizar sobre necessidade de cuidado psicológico contínuo
Janeiro é um ponto de partida, mas a atenção à saúde mental precisa ser permanente’, alerta Gervatoski
O início de um novo ano costuma trazer consigo reflexões, planos e expectativas. É justamente nesse contexto que o Janeiro Branco se consolida para lembrar que a saúde mental deve ocupar um lugar central no cuidado com a vida. Mais do que uma mobilização pontual, é um convite à escuta, ao acolhimento e, sobretudo, à busca por ajuda quando algo não vai bem.
O médico e diretor técnico da Santa Casa de Piracicaba, André Gervatoski Lourenço destaca que a percepção de desequilíbrio na saúde mental deve funcionar como um alerta para a busca de auxílio profissional. “As pessoas precisam entender que sentir-se mal psicologicamente não é sinal de fraqueza. É um indicativo de que algo precisa de atenção”, afirma Lourenço.
A campanha surgiu no Brasil como estratégia para aproveitar o período em que a população costuma fazer balanços e estabelecer metas. Por meio de palestras, rodas de conversa e materiais informativos, profissionais de psicologia e instituições de saúde trabalham para desmistificar questões relacionadas ao sofrimento psíquico.
Os dados reforçam a urgência desse debate e os números justificam essa mobilização. Dados do Ministério da Saúde mostram que transtornos como ansiedade e depressão afetam milhões de brasileiros. A Organização Mundial da Saúde aponta o País como detentor da maior prevalência de ansiedade no mundo, com 9,3% da população diagnosticada. A depressão atinge cerca de 5,8% dos brasileiros, segundo a entidade.
“A saúde mental integra a saúde geral do indivíduo. Não podemos continuar tratando o corpo e a mente como entidades separadas”, ressalta o médico. Ele observa que o Sistema Único de Saúde oferece atendimento gratuito por intermédio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
“É fundamental compreender que saúde mental e saúde física são indissociáveis. Não existe bem-estar completo quando a mente adoece. Sintomas emocionais persistentes impactam diretamente a produtividade, os relacionamentos, a capacidade de tomar decisões e a qualidade de vida como um todo. Por isso, buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico não deve ser visto como último recurso, mas como uma atitude responsável e preventiva”, reforça Lourenço.
Embora a campanha opere durante janeiro, o médico reforça que o cuidado com a saúde mental deve se estender ao longo do ano. “Janeiro é um ponto de partida, mas a atenção precisa ser permanente”, conclui.



