Messias defenestrado
Primeira Hora: o queridinho de Lula foi recusado pelo Senado
O Senado Federal rejeitou ontem a indicação de Jorge Messias ao STF para a cadeira deixada por Luis Roberto Barroso.
A nau do presidente Lula, que indicou Messias, naufragou após cinco meses à deriva, à espera do grande dia da sabatina, que ocorreu ontem.
Pode-se dizer que o Senado escreveu o certo por linhas tortas. No entanto, Messias poderia ser rejeitado por aquilo que representa de fato, de incompetência à submissão.
Mas foi rejeitado por interesses corporativos do Centrão, onde impera Davi Alcolumbre, comandante dos votos que faltaram a Messias.
O presidente do Senado estava descontente com o jogo de Lula, que não considerou os seus interesses ao indicar Messias.
Alcolumbre queria o mineiro, Rodrigo Pacheco, no lugar do candidato do presidente da República. Lula resolveu arriscar, sem negociar, e quebrou a cara.
Como Advogado-Geral da União (AGU), Messias era tido também como o censor-mor da República junto às redes sociais.
Fazia tudo o que o governo pedia, o que o indispôs com opositores, que viam nele apenas um serviçal.
Mesmo defendendo a liberdade de expressão na sabatina, jogava sujo, mandando retirar postagens das redes que poderiam prejudicar os interesses do governo.
Desde o governo Dilma, o AGU é tido como o faz-de-tudo do PT, mas ele foi defenestrado também por trazer insegurança frente ao que virá.
Virão as eleições e as delações do caso Master, que podem fazer estrago no Congresso. E Messias não é homem de confiança daqueles com alguma dívida no cartório. A somatória de fatores foi a gênese da rejeição.
Este é o jogo do Senado, onde o corporativismo é a regra, os caciques dão as cartas e a corrupção corre solta. Messias não era a melhor pessoa para o momento.
Tem ainda a tese de que Alexandre de Mores e Dino atuaram para a derrubada de Messias.
Segundo o Estadão, eles temiam a relação e Messias com os evangélicos e o risco dele se aliar a Fachin na defesa de um Código de Ética para o STF, mudando assim a correlação e forças no Supremo.
Agora, segundo Alcolumbre, outro nome, só depois das eleições, e das delações. Se sobrar algum cacique no Congresso e se Lula estiver ainda em Brasília.




