Meu voto vai para as ninfas goethianas (não Sabrina Sato)
Que elas existem, existem, eu sei, e hão de vencer essa luta olhando a terra acima do meu senso de pureza e alimentando meu coração entregue a elas
Não assisti e não gostei do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. Mas nada me exime do direito de falar do que desconheço. Este é um direito ao qual nunca abro mão em dias de Carnaval. É como um passeio na serra. Um sonho de verão.
Muitas pessoas devem ter sido influenciadas pela pantomima lulista no ‘manifesto rebolation’ de inacreditável beleza e agora decidiram votar no ‘operário do Brasil’. Por isso, o presidente sai com uma vantagem tremenda na campanha eleitoral de 2026. Vero?
Para ser franco, em um país perdido diante de uma atitude tão idiota como a dos petistas e congêneres, o meu voto vai para as ninfas goethianas (não Sabrina Sato). Que elas existem, existem, eu sei. E hão de vencer essa luta olhando a terra acima do meu senso de pureza e alimentando meu coração entregue a elas.
Me sinto chocado quando descubro essas nuances da realidade e o ardil daqueles que se aproveitam das janelas que se abrem à impostura e avançam no universo prático da conquista de poder. Por isso, busco proteção nas forças ocultas, sempre.
Lula é um exemplo do bruxo que controla o tempo e as fábricas de pílulas douradas que dão sensibilidades extras aos homens decaídos que creem ter acesso às forças que definem o amanhã. Mas ele está longe de ser uma ninfa. Está mais para bode velho e cansado, porém, bem forte ainda.
Pelos seus gestos celestiais demiúrgicos, já imaginamos que ele está sempre de olho no próximo movimento, liderando a percepção de tudo o que possa acontecer em sua vantagem e pelo seu interesse. Ao plasmar sobre as ideias maleáveis, domina, como quem domina a natureza.
Todas as carrancas que o rodeiam agem pela sua maestria. Não há outra maneira de ver o mundo político brasileiro que não seja monitorando o líder das massas e o guardião do segredo que se distende diante dos seus gestos para pavimenta as estradas que levam a Brasília.
Fico estarrecido, portanto, quando alguém pensa em acionar o TSE para tirar Lula do páreo eleitoral à presidência, só porque ele usou dinheiro da Embratur (do seu governo) para ter o privilégio de desfilar na Sapucaí e exibir a vendeta que nutri contra o clã Bolsonaro.
A imagem do Carnaval, as cenas produzidas pelos Acadêmicos de Niterói são apenas a visão caricata e mundana dos homens normais, que não alcançam os pícaros lulistas. O bode velho está em outra, mas bem decadente, sem dúvida. Sua morte goethiana se desenha na sombra de um abismo intransponível aos mortais.
Eu não vi o Lula dos Acadêmicos de Niterói e estou bem mais avexado por isso. Chegarei à quarta-feira de cinzas com o coração sentindo em sua profundeza que algo de grandioso aconteceu e não fui capaz de captar.
Os homens sofrem pelas representações do mal e não pelo mal em si. Porque este mal lulista já bate suas asas em direção ao esquecimento. É só ouvir os sinais sutis que as ninfas goethianas lançam pelo céu do Brasil, sem interlocutores para seus bavios, sem performance para seus gestos. Não dá para explicar de outra forma.





