Michel Temer e o efeito teflon
Não podemos esquecer a frase-cofre dita pelo mesmo personagem, direcionada aos irmãos Joesley, da JBS
De tempo em tempo, o ex-presidente Michel Temer aparece no noticiário com alguma verdade para lá de óbvia. Seu governo foi uma série de verdades. Desde a mais simples, de que o Brasil precisava tirar Dilma do poder, senão a mulher ia fazer o inferno com a economia, até as mais elaboradas, como a criação de uma categoria trabalhista específica para enfrentar a crise. Ele é o pai do MEI.
Não podemos esquecer a frase-cofre dita pelo mesmo personagem, direcionada aos irmãos Joesley, da JBS: “Tem que manter isso aí, viu?” Há quem diga que era a senha para algum esquema que irrigava dinheiro ao mundo mágico dos corruptos de Brasília. Não há dúvida de que Temer é muito inteligente e sempre se beneficiou de algum propinoduto sem quase ser notado, mesmo o de Vorcaro.
Não podemos nos esquecer também de que ele foi o mentor de um projeto econômico, elaborado há dez anos, com a ajuda de vários economistas de renome, intitulado “Ponte para o Futuro”, base para o seu governo. Suas ideias nesse campo são sempre bem-vindas, porque seguem na contramão dos desvarios lulopetistas, propondo racionalidade à gestão pública.
Agora Temer está de volta com uma nova mensagem, extremamente valiosa, não apenas para os corruptos de plantão, mas para o país, uma vez que “o eleitorado espera projetos para o País, e não disputa de nomes”. Esta frase foi pronunciada por ele em entrevista ao Estadão desta quinta-feira (9). Novamente, o projeto é fruto de estudos de mentes econômicas respeitáveis.
O ingrediente que coloco nesta receita, afirmando que seu projeto é muito bom também para os corruptos enroscados nas falcatruas do banco Master, porque segue a lógica do ‘despistamento’, um exercício para o mundo político mudar de assunto, estilo, “vamos pensar no país e esquecer um pouco esse submundo da corrupção, que eu conheço muito bem, e não vai dar em nada”.
Assim, Temer volta a ser aquele homem ‘respeitável’, com ideias sérias, e não o outro do “Tem que manter isso aí, viu?” Sua resposta sobre seu envolvimento no caso Banco Master e BRB – Banco de Brasília, segundo a entrevista, demonstra sua habilidade para escapar de qualquer sinuca que possa comprometê-lo. Na intermediação de interesses junto ao governo do Distrito Federal e ao BRB - Banco de Brasília, seu escritório de advocacia deu apenas uma consultoria e medicação “estritamente técnica”, “que logo foi desfeita por se mostrar inviável no mercado privado”. Este é o Temer teflon, que sabe muito bem como se fazem as coisas.
Afinal de contas, o contrato assinado pelo escritório de Michel Temer com Vorcaro foi de apenas R$ 10 milhões, segundo declaração de Vorcaro à Receita Federal. Uma mixaria perto dos R$ 129 milhões do contrato de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, com o mesmo meliante. É mais fácil acreditar em Temer, o homem teflon.




