“São uma infinidade de partículas diferentes, com propriedades diferentes, características diferentes, que do ponto de vista analítico é um desafio bastante grande identificar e quantificá-las da forma como elas estão no ambiente.” A afirmação é da professora Cassiana Carolina Montagner, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, em entrevista ao programa Analisa, gravado no dia 31 de agosto na TV Unicamp.
Montagner coordena, ao lado do professor Walter Waldman, do Departamento de Física, Química e Matemática da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), as atividades da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos, realizadas entre 1º e 11 de setembro na Unicamp.
Os micro e nano plásticos são partículas em tamanho reduzido, que podem ser produzidas de forma intencional pela indústria ou resultarem da degradação de materiais plásticos. Alguns tipos de microplásticos interagem com contaminantes como os agrotóxicos, impactando o ambiente e os seres vivos. Esta interação também é objeto de estudo dos dois professores por meio do projeto Plast-Agrotox, que busca preencher lacunas sobre o conhecimento dos destinos e impactos dos agrotóxicos e dos microplásticos quando encontrados isolados e associados em ambientes naturais.
A contaminação por microplásticos é considerada um dos desafios ambientais mais urgentes da atualidade. As diferentes características e componentes químicos presentes nessas substâncias contribuem para tornar mais complexa a tarefa de combatê-los. Os pesquisadores explicam como essas substâncias estão disseminadas em ambientes aquáticos, terrestres e aéreos, e até mesmo na cadeia alimentar e nos seres vivos.
Outro grande desafio é regular o setor produtivo, por meio de um Tratado Internacional de Combate à Poluição Plástica. “Existe um dissenso entre blocos de países sobre querer um tratado global ambicioso, em que se regulem as substâncias químicas dentro do plástico, em que se regule a produção de plástico, e um bloco de países que não quer regular a produção de plástico e quer focar na reciclagem”, afirma Waldman, que também participou do programa.
O evento promovido pela Unicamp é uma oportunidade para auxiliar os estudantes a compreender a complexidade dessa temática sob uma perspectiva científica, ampliando a busca de soluções interdisciplinares.
A ESPCA em Microplásticos é organizada pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reúne as maiores referências nacionais e internacionais na pesquisa em microplásticos.
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Matéria: Hebe Rios | Fotos: Lúcio Camargo | Jornal da Unicamp.



