Milei espera por avanços nas relações bilaterais entre Brasil e Argentina
Com Lula, as conversações sobre o comércio entre os países da América Latina ficariam prejudicadas pelo excesso de política
O Estadão traz uma matéria importante na edição de hoje (11) sobre a América Latina e o comportamento de Milei contra o governo Lula. Leia aqui!
Segundo a matéria, as recentes acusações do presidente da Argentina ao líder brasileiro estariam menos relacionadas a questões políticas do que comerciais.
A crise diplomática seria, portanto, reflexo da queda acentuada do comércio entre os países latino-americanos, o que tem prejudicado todos os países do continente.
Afirma a matéria do Estadão que o estudo “Disrupções e Oportunidades”, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas, sobre o comércio intrarregional na América Latina, demonstra uma queda de 21% nas exportações totais da região em 2008 para apenas 14% em 2024.
A taxa é considerada uma das mais baixas de comércio intrarregional do mundo. Para se ter uma referência de sucesso, o comércio intrarregional na União Europeia representa mais de 60% de suas exportações totais.
Os elaboradores do estudo propõem que sejam deixados de lado os acordos de difícil implementação e que o foco recaia sobre acordos concretos em áreas específicas. Assim, os países envolvidos estariam mais protegidos de oscilações externas e seguiriam uma tendência de fortalecimento econômico regional.
O movimento de Milei, pelo que se deduz, seria tentar tirar do centro das articulações um interlocutor que insiste nos aspectos políticos das relações, agindo mais como candidato do que como governante, prejudicando assim o avanço pragmático dos demais países no desenvolvimento de uma nova relação diplomática que priorize o desenvolvimento econômico regional.
Para isso, seriam necessárias novas políticas alfandegárias, maior agilidade nas transações comerciais e, assim, maior crescimento econômico da região, que hoje tem a China e Estados Unidos entre os principais destinos externos de seus produtos.
Sendo assim, há uma perda enorme de potencial interno quando se priorizam os aspectos ideológicos. “O comércio intrarregional representa uma grande oportunidade perdida para a América Latina, pois constitui um mercado de mais de 660 milhões de pessoas e um produto interno bruto combinado de US$ 6,8 trilhões”, destaca o Estadão com base no relatório.
É uma preocupação legítima que tem repercutido mais como picuinha, no caso de Milei e Lula, do que como tema a ser discutido em fóruns apropriados, o que poderia ampliar as perspectivas das relações diplomáticas e do desenvolvimento da América Latina.
A estratégia de Milei, portanto, seria uma tentativa desesperada de um país em crise, que precisa renovar suas relações bilaterais em outras bases conceituais para ampliar suas exportações e avançar. Mas que vê Lula no meio do caminho a proporcionar embaraços.





