A moda vive de ciclos e a internet mostra isso
Para Francisca Dantas Mendes, a internet acelera a volta de tendências, que também são impulsionadas pela memória

No começo de 2026, surgiu a trend “2026 é o novo 2016” nas redes sociais. A tendência promoveu, através de posts e vídeos curtos, uma valorização da estética e cultura, principalmente a digital, da década passada. Entre os aspectos que retornam com as publicações virais está a moda, com o retorno de peças como as gargantilhas, as calças skinny e as saias justas. Segundo a professora Francisca Dantas Mendes, do curso de Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, o reaparecimento de tendências é algo comum e faz parte da moda.
Francisca explica que a moda em si é cíclica, por fazer parte da sua essência a periodicidade das roupas utilizadas, dependendo da estação. “A moda é cíclica. Isso porque nós temos as estações, de seis em seis meses a gente troca o modo de vestir. Para o modo de vestir mais confortável em função do clima quente, nós vamos trajar roupas leves, tecidos leves, cores coloridas. E depois entra o inverno, que exige de você uma roupa mais quente, mais pesada, para te proteger da situação climática. Isso faz você mudar de um ano para o outro. Você só vai voltar daqui um ano a reutilizar essas peças.”
Outro fator que explica o retorno de tendências é a memória. “Você tem uma memória e normalmente ela volta trazendo uma estética que já aconteceu há uns três ou quatro anos, chegando a dez. Aquela estética é revisitada. Você tem um fator que você viu os seus pais, os parentes usarem aquele tipo de roupa naquele período. Ou até mesmo você depois usou aquilo. De repente vem uma memória, uma lembrança daquela estética. Além disso, essa estética também vem junto com os acontecimentos sociais, com a inovação de um acontecimento, de um grande evento, às vezes até cinema. Ele traz aquilo que se passou um tempo atrás e aí ele vem como uma inspiração para algo novo. Ele vem com uma releitura, com uma informação inovadora sobre aquilo que aconteceu naquele período.”
A volta de 2016
A professora comenta quais aspectos estão voltando de 2016 para 2026. “A silhueta é mais ajustada agora. Porque a gente estava meio oversized. Não tão oversized quanto a década de 80, 90, mas estávamos mais soltos. Estão voltando as roupas de jogging, legging, essas roupas mais ajustadas no corpo, que mostram um pouco mais o corpo. Eu acho que isso está, de novo, naquele resgate, mas em um comportamento mais avançado de consciência. De consciência de consumo, das questões da sustentabilidade, da ética, do veganismo.”
O reaparecimento de tendências está cada vez mais rápido, como destaca Francisca. “Fala-se que a moda surge quando o homem se diferencia do modo de vestir da mulher. Porque você vê que, na Idade Média, está todo mundo de túnica até o tornozelo. Depois, já na época de Pedro Álvares Cabral, você já tinha o homem vestido de um jeito e a mulher de outro. Eles também começam a mudar roupas. Você consegue ver nos quadros as diferentes profissões, por exemplo, quem é um cientista. Nesse momento surgem várias roupas diferentes. Porém, nesse momento, as mudanças eram muito mais demoradas. Hoje, realmente, ela é muito acelerada. Primeiro por conta das mídias sociais. Tudo instantâneo. Na década de 60, a gente usava moda, tinha notícia que a moda mudou quase um ano depois na televisão e nas revistas.”




