Morre Carlos Guilherme Mota, historiador e cofundador do Instituto de Estudos Avançados da USP
Pioneiro no estudo das mentalidades, o intelectual deixa um legado de mais de 30 livros publicados

O historiador Carlos Guilherme Mota, Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, faleceu nesta quarta-feira, 20 de maio, aos 85 anos. Nome central da historiografia contemporânea e pioneiro no estudo das ideologias e mentalidades no País, Mota deixa um legado de mais de 30 livros publicados e uma trajetória marcada pela defesa do pensamento crítico e da autonomia universitária.
Graduado em História pela USP em 1963, com mestrado em 1967 e doutorado em História Moderna e Contemporânea em 1970, tornou-se livre-docente da instituição em 1975.
Sob a influência de intelectuais como Emília Viotti da Costa e Fernando Novais, Mota passou a questionar a história meramente factual para se debruçar sobre as estruturas de poder, o pensamento das elites e os chamados “explicadores” do Brasil. Não por acaso, foi ao lado de Fernando Novais (historiador falecido em abril deste ano) que ele escreveu a obra A Independência Política do Brasil.
“Na verdade, eu queria ser filósofo, mas tinha pouca aula para dar. Daí eu vi que na História também daria para fazer filosofia. E por aí entrei no estudo das mentalidades”, declarou o historiador em entrevista ao Jornal da USP, em 2017. Ao Canal USP, o professor também concedeu um depoimento em vídeo, gravado em 2018, no qual discutiu o papel da Universidade diante dos acontecimentos de 1968, ano de instauração do Ato Institucional Número 5, o AI-5.
Durante a gestão do reitor José Goldemberg, em 1986, Mota liderou um grupo de docentes para fundar o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, servindo como seu primeiro diretor até 1988. O instituto foi concebido como um espaço livre, transdisciplinar e aberto a intelectuais de fora da Universidade.
Em 2009, foi homenageado pela FFLCH com o título de Professor Emérito. Mais tarde, em abril de 2014, assumiu a direção da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, inaugurada oficialmente um ano antes.
Ao longo de sua carreira, Mota integrou o comitê do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Princeton e atuou como diretor de estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Foi também professor visitante e consultor nas universidades de Londres, Texas e no Centro de Estudios Brasileños da Universidade de Salamanca. No Brasil, foi professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
A FFLCH publicou uma nota oficial lamentando a morte do historiador.
Fonte: Jornal da USP.



