Morre Elza Berquó, referência da demografia
Matemática, estatística e demógrafa havia completado 100 anos em outubro de 2025, quando recebeu uma série de homenagens no Nepo, fundado por ela em 1982

A demografia brasileira se despede, nesta quinta-feira (16), da matemática, estatística e demógrafa Elza Berquó, fundadora, em 1982, do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), que desde 2014 leva seu nome. Berquó completou 100 anos em 17 de outubro de 2025, quando recebeu uma série de homenagens. O velório será em São Paulo, onde ela vivia com a família.
Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), mestre em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Bioestatística pela Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, Berquó foi uma das responsáveis por fundar e liderar espaços institucionais para o desenvolvimento da Demografia no Brasil. Esteve à frente da criação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) e do Nepo, uma das quatro instituições brasileiras responsáveis por formar e capacitar pesquisadores e especialistas na área de Demografia e Estudos de População.
“Hoje é um dia triste porque perdemos uma mulher fantástica, uma cientista inspiradora. Mas, ao olhar para a vida de Elza, celebramos suas conquistas, as pessoas que ela formou, as instituições que criou e sua trajetória incrível”, comentou a cientista social, antropóloga e demógrafa Gláucia Marcondes, atual coordenadora do Nepo.
No ano passado, o Conselho Técnico Científico do Nepo comemorou o centenário de vida de sua fundadora com o lançamento de um site que reúne seu rico acervo de produções. “Foi importante fazer essa homenagem em vida para que pudesse receber o carinho de todos e mostrar para a comunidade acadêmica e o público em geral suas ideias, estudos e a atuação vibrante, inspiradora e inovadora que propagou ao longo de sua carreira profissional”, completa.
“Elza é a história da demografia no Brasil e, particularmente, da Unicamp, que se tornou pioneira nos estudos na área e abriu um flanco importante para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino”, completa José Marcos Cunha, coordenador do Nepo de 2002 a 2006 e presidente da Abep de 2009 a 2012. “Toda a história da demografia brasileira está ligada ao seu caráter visionário”, completou.
Membro da Academia Brasileira de Ciências e agraciada com prêmios nacionais e internacionais, Berquó mostrou um profundo compromisso com as políticas públicas e com a formação de quadros para o país e para a universidade pública. Pioneira nos estudos de fecundidade, transição demográfica, gênero, raça e saúde reprodutiva, coordenou grandes pesquisas nacionais e formou dezenas de mestres e doutores que hoje lideram a demografia e as ciências sociais no país e internacionalmente.
Em 2021, Berquó se tornou a primeira mulher da Unicamp a receber o título de Doutora Honoris Causa, na ocasião entregue remotamente. Na cerimônia, discursou: “Gostaria que todos soubessem que essa homenagem, que recebo hoje, será para mim como uma estrela que levarei comigo até o final dos tempos. Meu tempo é curto, mas ele foi longo o suficiente para ver e ouvir vocês com todo esse carinho. Jovens, continuem a estudar! Continuem a luta pela democracia!”
Acesse o site do centenário de Elza Berquó:
https://www.nepo.unicamp.br/centenario-elza-berquo/
Matéria: Daniela Prandi | Jornal da Unicamp.




