O debate entre os candidatos a presidente da República na Band, neste domingo (18), foi uma lástima. Após um belo jogo do Palmeiras, no sábado, e de um clássico do Flamengo, pouco antes do encontro entre os litigantes, somente pessoas desavisadas como eu terminariam o final de semana com um programa tão sórdido.
Senti-me nos anos 1980, quando assistíamos ao Fantástico com a sensação de fim de mundo ao ver Cid Moreira anunciando que ovo causava câncer. “Debate para presidente da República causa câncer!”. Imagino o apresentador dando sequência à matéria:
“Pesquisa desenvolvida pelo Institute of Eggs, da Inglaterra, com 1.200 consumidoras diárias de ovos, identificou aumento na probabilidade de câncer de ovário em 0,073% dos casos devido ao alimento. A mesma pesquisa entre os homens constatou aumento de 0,053% do câncer de próstata”.
Íamos dormir tristes, porque tínhamos a certeza de que nossa morte pelo consumo de ovo era certa. O custo de vida estava tão alto que não havia nenhum outro alimento que pudéssemos consumir além de ovos. Isso ainda porque criávamos galinhas no quintal de casa. Carne, somente em dias especiais do ano.
Foi com o coração partido que deitei para dormir neste domingo, após o debate. Lula causava depressão e prisão de ventre. Flávio, por sua veza, acompanhava o adversário na desfaçatez. Ambos tentavam falar sobre um mundo sórdido, espremido entre a insegurança, o empréstimo bancário e a ficha corrida de cada um, temas altamente cancerígenos.
Logo na manhã desta segunda-feira (19), meu instituto, especializado em ovos, consultou três personagens tão pré-históricos como eu, que também acompanharam o drama na Band. Eles foram contundentes quanto à depressão causada pelo debate.
Ovaldo disse que seus ovos ficaram doloridos a noite toda. Gemário não escondeu sua tristeza ao saber que falta proteína em sua vida. Clara foi mais sensata e disse que faz exames preventivos todos os anos no SUS do Sírio Libanês, o mesmo hospital SUS do Lula, para evitar problemas de ovário.
Após o debate, fiquei apenas com uma certeza: quem ganhar essa eleição não terá mais do que 0,053% ou até 0,057% de votos válidos a mais. Será uma eleição tão apertada, mas tão apertada que se você não for ao banheiro antes é bem possível que não consiga se controlar na boca da urna.





