A notícia é a mesma de sempre, com variações microscópicas. O eleitorado permanece, em sua esmagadora maioria, preso entre Lula e Flávio Bolsonaro. O detalhe é que Flávio tem avançado levemente a ponto de empatar numericamente com Lula em alguns levantamentos. Enquanto em outros, o candidato do PL segue atrás do petista.
Na pesquisa BTG/Nexus publicada hoje (8), por exemplo, o presidente Lula marca 39% na espontânea, dois pontos a mais do que na semana anterior, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, 31%, um ponto a mais. Na estimulada, Flávio subiu dois pontos, para 35%, e Lula permaneceu com 39%. Empate técnico, no limite da margem de erro.
Enquanto isso, o fenômeno Augusto Cury, que parecia estar se deslocando do segundo bloco, deu uma arrefecida. O psiquiatra e escritor chegou a marcar 8% na pesquisa espontânea da BTG/Nexus na semana passada, mas agora aparece com 6%. Na pesquisa estimulada, ele tinha 11% e, agora, tem 9%.
As explicações são sempre insuficientes para podermos entender com clareza o que se passa pela cabeça do eleitor, mas tudo indica que a maioria pensa que o melhor é se posicionar logo no primeiro turno a favor ou contra um dos líderes, vista a dificuldade dos demais para ascensão. Sendo assim, perdura o antilulismo e antibolsonarismo.
Se Lula ganhar, ficará evidente que ele é o candidato menos rejeitado em relação a Flávio. E vice-versa. Mesmo diante do lamaçal em que os dois se meteram. O eleitorado, até o momento, não vê perspectivas fora desse antagonismo e deve se posicionar tendo em vista o que cada um entende como mal menor.
Será a eleição do mal menor e com a expectativa de que, no segundo turno, haja composições políticas que quebrem os excessos de cada um dos lados. O histórico de ambos os líderes, no entanto, é de traição aos aliados e de proteção ao seu grupo restrito. Claro que com Flávio pode ser diferente, porque ele nunca foi presidente. O exemplo aqui é o seu pai.
Lula, por sua vez, deixa os aliados em seus respectivos ministérios, mas sem as mínimas condições para levar adiante qualquer iniciativa que não seja de seu estrito interesse político. Normalmente, são alianças mortas, pura pró-forma, que não dão em nada. Mesmo Simone Tebet ou Marina Silva pouco fizeram nas mãos de Lula, que agora tenta compensá-las lançando-as como candidatas ao Senado por São Paulo.
É um jogo duro, estressante e aborrecedor. É o Brasil dominado por esse tipo de gente, que trabalha em grupo, tendo como objetivo apenas a conquista do poder. Projetos para o país, só no discurso. A notícia é a mesma de sempre, com variações microscópicas.




