Lula e Flávio chegam, enfim, ao empate absoluto, indicado pela pesquisa Realtime Big Data, publicada hoje, 1 de setembro. Cada um teria 44% dos votos em um eventual segundo turno. A informação é plausível. Nesta coluna para o site viletim.com.br, eu já havia apontado para essa possibilidade. Evidente que há a margem de erro de 2 pontos, mas, para efeito de provocação, a análise vale.
O diferencial agora é o potencial de crescimento dos demais candidatos. Eis que surge Augusto Cury (Avante) e já abocanha 11% das intenções de voto, com um eleitorado diferenciado e com elevadíssimo potencial de crescimento. Renan Santos (Missão) fica com mais 7%. Só aí, com os dois, temos quase metade dos votos que supostamente seriam dados a Lula ou a Flávio.
Não se trata de uma notícia menor, porque a partir de dois dígitos há um efeito psicológico muito forte, que delimita o potencial de um candidato, uma vez que o eleitor começa a achar que ele pode surpreender positivamente. E o eleitor do centro, hoje, representa uma fatia igual ao eleitorado de Lula e de Flávio. Ou seja, cada um representa 1/3 do todo.
Se esse movimento for disparado por algum fator, com a migração para Cury de fatia dos eleitores que votariam em Flávio, mas ainda não estão convictos disso, ocorrendo o mesmo com o eleitorado de Lula, a surpresa estaria armada. Esta suposição não é uma fantasia.
Evidente que vai aqui um pouco de aposta. Mas nem tanto. A terceira via começa a aparecer e pode, sim, mostrar sua cara. Talvez não como um fenômeno para 2026, mas para 2030. Já é alguma coisa. Para quem acompanha a política nacional desde o fim do regime militar, como é o meu caso, o desejo de que aconteça algo que quebre por completo os blocos hegemônicos de poder é um desenho nada secreto.
A direita e a esquerda são atrasos para um país que precisa ainda fazer coisas básicas, que estão no meio. Uma educação de qualidade, uma segurança de qualidade, uma saúde de qualidade. O resto se arruma com o tempo. Para isso, o candidato não precisa ser experiente. Precisa apenas ser honesto e ter juízo. Lula entrou inexperiente e foi um desastre depois que aprendeu. Flávio entra com experiência de desastre. Cury aprenderia rapidinho a ser um bom gestor.
Um governo, quando quer fazer muito, sai de baixo. A sociedade que deve fazer muito. O governo não deve atrapalhar. Para isso, o diálogo e o bom senso são fundamentais. A terceira via só é terceira via por causa desses fatores positivos, dessas qualidades. Não custa acreditar.




