É impressionante o desejo de se autoafirmar do eleitor brasileiro. Com a notícia de que Flávio Bolsonaro saiu do país para se proteger de Alexandre de Moraes, que o colocaria na cadeia, a tese do golpista vem com peso. “Não te disse que ele era perigoso?”
Não se pensa sequer sobre o que Flávio faria se fosse presidente, porque essa possibilidade está agora totalmente contaminada pela imagem de um outro homem, que se mandou de forma muito estranha. Faz parte do jogo. As pessoas se enganam como acham melhor.
Não vem aqui uma defesa de Flávio Bolsonaro. Mas simplesmente dizer que ele é um fujão, sabendo que ia em cana mesmo antes de ser devidamente investigado e julgado, é um exercício simplista.
O pior será se os bolsonaristas continuarem bolsonaristas e não trocarem o filme. Estaremos diante de uma espécie de energia que alimenta uma engrenagem idiota de submissão a algo que não faz mais sentido. Não se trata de reconhecer um engano, mas de avançar sem se perder em fantasias que só levam o país ao atraso.
O pensamento conservador está a uma distância gigantesca do bolsonarismo. Porque o conservador minimamente instruído não alimenta ídolos e aprende com as circunstâncias.
Isso não significa também aceitar pacificamente o lulismo, que é outra aberração brasileira e um espelho do bolsonarismo. Lula ainda está ensimesmado com a reeleição. Ou seja, está como nasceu. Não se desprende da imagem que criou de si mesmo, nem que a casa caia.
E o brasileiro não pode cair mais em armadilhas. Tudo indica que teremos que conviver por outros quatro anos com fantasias que vão piorar muito a qualidade de vida do brasileiro. O pensamento lulista é mágico, como se dinheiro fosse algo que você tira de algum lugar sem consequências. Como se o Brasil fosse uma geração espontânea de recursos financeiros.
Por isso ele faz o que faz. Não leva a sério o equilíbrio fiscal, por exemplo, e brinca com a ignorância do povo, que não percebe que as benesses de Lula são um engodo, sem uma contrapartida severa para que o país avance em educação, segurança, saúde e produtividade. Estamos parados no tempo.
Produtividade é a palavra da vez. Ela será a pedra no sapato da escala 5x2. Muitas empresas ainda não sabem como se virar com essa imposição esdrúxula contra a economia, sem que houvesse entendimentos setoriais para ver quem está de fato estruturado para sobreviver a ela.
O Brasil da fantasia precisa encarar a realidade e deixar a eleição para trás. O pior ainda está por vir, se Lula continuar se maquiando para seu eterno espetáculo movido a verborragia. É preciso seguir um caminho mais moderno e sincero, com proposta de reestruturação da realidade. Isso não se faz do dia para a noite. Muito menos com o lulismo, que está há duas décadas no poder e cuja presença só faz piorar a vida do brasileiro.





