Nem toda cirurgia precisa terminar em ostomia
Pesquisa médica aponta novos caminhos para o tratamento de casos graves de diverticulite
A médica Laura Vidotto apresentou o trabalho científico intitulado “Damage control surgery in perforated diverticulitis: a systematic review and meta-analysis”
A formação médica vai além da graduação. Em um cenário de constante evolução científica, a atualização contínua e o envolvimento com a pesquisa são fundamentais para garantir uma prática assistencial segura, baseada em evidências e alinhada aos melhores desfechos para o paciente.
Esse compromisso esteve representado recentemente em Tampa/Flórida, nos Estados Unidos, durante o SAGES Annual Meeting, um dos mais relevantes congressos internacionais na área de cirurgia digestiva, quando a médica Laura Vidotto, de 26 anos, que atua na Santa Casa de Piracicaba, apresentou o trabalho científico intitulado “Damage control surgery in perforated diverticulitis: a systematic review and meta-analysis”.
Nos últimos anos, a médica passou a integrar um grupo internacional de pesquisa, dedicado à produção científica em cirurgia, com foco em revisões sistemáticas e meta-análises. O trabalho apresentado no congresso foi desenvolvido dentro dessa colaboração e selecionado para apresentação oral — formato reservado a estudos com maior destaque científico.
A pesquisa aborda uma condição frequente na prática médica: a diverticulite. Em sua forma complicada, a doença pode exigir intervenções cirúrgicas de urgência e, em muitos casos, levar à realização de ostomias, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.
O estudo avalia uma estratégia conhecida como cirurgia de controle de danos, que propõe um tratamento em etapas, priorizando inicialmente a estabilização clínica do paciente para, posteriormente, realizar a cirurgia definitiva em condições mais seguras.
A hipótese é que essa abordagem possa reduzir a necessidade de ostomias, ampliando as chances de reconstrução do trânsito intestinal, sem aumento de complicações ou mortalidade. Por se tratar de um campo ainda em evolução, os resultados devem ser interpretados como parte de um processo contínuo de investigação científica, contribuindo para a geração de hipóteses e o avanço do conhecimento na área.
“Mais do que apresentar um trabalho, essa experiência reforça o quanto a pesquisa está diretamente ligada à prática médica. A produção de conhecimento é o que permite que a gente evolua na forma de cuidar dos pacientes”, destaca Laura.
Para a Santa Casa de Piracicaba, hospital de referência em média e alta complexidade, a qualificação contínua dos profissionais é parte essencial da assistência. A participação em iniciativas científicas contribui para a incorporação de novas evidências à prática clínica e fortalece a tomada de decisão médica baseada em critérios técnicos e atualizados.
Recém-formada em Medicina, Laura construiu, ainda durante a graduação, uma trajetória consistente na área de pesquisa. Seu envolvimento começou em 2018 e incluiu a participação em um projeto de iniciação científica com apoio da FAPESP, posteriormente reconhecido com premiação em congresso nacional da especialidade.
Mais do que uma trajetória individual, experiências como essa evidenciam um princípio fundamental da medicina: o cuidado seguro começa com o compromisso permanente com o conhecimento.




