Nova versão da ISO 9001 dá continuidade e melhora a gestão de sistemas de qualidade
ISO 9001 determina padrões para processos internos das empresas focados em aumentar a satisfação de clientes

Empresas nacionais e internacionais acompanham o processo de revisão da ISO 9001, que define os requisitos de um Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), focado em aumentar a satisfação do cliente, a consistência de produtos/serviços e a melhoria contínua. A nova versão (ISO 9001:2026) é a sexta apresentada, com a Organização Internacional de Padronização (ISO) tendo iniciado o processo de revisão em dezembro de 2023 e a previsão inicial era que a publicação seria feita em dezembro de 2025. Sânia Fernandes, professora do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia da USP de São Carlos, define a ISO 9001:
“Ela é uma norma internacional voltada para o sistema de gestão da qualidade. De modo geral, ela tem como principal objetivo garantir a maior padronização dos processos, melhor estruturação dos processos das organizações com objetivos de garantir maior eficiência, melhor uso dos recursos e também maior eficácia, atingindo os objetivos da organização. Por consequência, isso leva à melhoria da qualidade dos produtos e dos serviços ofertados por essas organizações. É uma norma que prega a melhoria de processos, pelo envolvimento das pessoas nesse processo e por uma visão integrada, não somente trabalhando a qualidade com uma perspectiva isolada relacionada a um único departamento dentro da organização, mas que inclua todos os processos de negócio da organização e que tenha essa visão integrada e sistêmica da qualidade como sendo uma responsabilidade de todos os departamentos da organização e, principalmente, das lideranças.”
Atualizações da norma desde a última versão
Fernando Berssaneti, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, explica as novidades da norma em relação às suas últimas versões. “A primeira versão é de 1987, depois tivemos versões em 1994, 2000, 2008 e em 2015. Toda vez que ela se atualiza, ela atua para se adequar melhor ao ambiente, tanto empresarial quanto da sociedade, a depender do contexto. Na versão de 2015, nós tivemos um grande avanço com a parte de gerenciamento de riscos. Nessa nova versão, temos um aprimoramento na parte da gestão de riscos, inclusive os efeitos dos riscos, como lidar com eles, como responder em caso de riscos maiores ou menores e assim por diante. Além dessa parte de riscos, há uma preocupação com o ambiente de trabalho e a cultura da organização e da qualidade. Pela primeira vez, surgiu a discussão da parte ética, que está engatinhando, não vou dizer que está muito evoluída, mas já existe uma preocupação com questões éticas, que é o que a gente está vivendo, principalmente com inteligência artificial, por exemplo, o uso ético dela.”
A sustentabilidade e a ISO 9001
De acordo com Sânia, a norma também traz a sustentabilidade para o debate, assim como a norma ISO 14001, voltada para a Gestão Ambiental e para a redução de impactos ambientais. “A questão da qualidade, sustentabilidade e estratégia do negócio está cada vez mais se fundindo. Nessa perspectiva de trazer essa questão das alterações climáticas, é uma forma de sugerir ou instigar as organizações para a consideração desses aspectos relacionados à sustentabilidade. Tanto no empenho ambiental, mas também na perspectiva social de como aquela organização pode estar afetando o meio ambiente. Embora tenhamos normas específicas da perspectiva da gestão ambiental, como a norma ISO 14001, esta é uma norma de operacionalização.”
“Quando a gente traz a questão da sustentabilidade e das alterações climáticas para a ISO 9001, é justamente para considerar como a organização vai pensar um contexto inicial das organizações, que inclui como ela está se posicionando frente a essas questões relacionadas à sustentabilidade, além de pensar, por exemplo, em riscos e oportunidades do negócio do ponto de vista econômico. Essa atualização da norma traz essa perspectiva mais gerencial, que permeia a norma como um todo. É uma perspectiva, finalmente, de incentivar outras organizações cada vez mais a olhar essa questão da sustentabilidade e integrar essa estratégia de negócio”, comenta Sânia.
A ISO 9001 para pequenos negócios
Berssaneti explica que algumas normas, como a ISO 9001, são utilizadas não somente pelas grandes empresas, mas também pelas de pequeno porte. “Essas normas são uma commodity, um produto relativamente barato. Se você for buscar no mercado, por exemplo, você vai encontrar no site do Inmetro quais são as empresas que estão creditadas por ele. Para fazer a creditação da ISO 9001, por exemplo, tem entre 80 a 90 empresas cadastradas e creditadas. É algo extremamente conhecido no mercado e as normas são normas conhecidas também. As pequenas empresas podem criar uma cultura de qualidade e uma cultura de padronização para o processo, ou seja, se você tem padronização, você consegue rastrear o que aconteceu quando tem algum problema. Mesmo que ela não queira contratar uma certificadora para dar o selo, ela pode se adequar e atender aos requisitos. E, obviamente, isso vai trazer ganhos e, acima de tudo, eficiência, pois haverá uma economia no dia a dia dela, porque ela vai gerar menos erros.”
“Quando se tem uma commodity, o preço é competitivo e pode abrir portas para muitas empresas, porque existe uma questão de mercado. Se existe uma empresa que cobra R$ 10,00 por um produto ou serviço e a outra empresa cobra os mesmos R$ 10,00, mas uma é certificada e a outra não, de quem você vai comprar? Certamente será da certificada. Essa é a cultura que a gente tem que criar e, acima de tudo, o cliente tem que entender o que é uma certificação e começar a cobrar isso. Eu acho que é importante termos produtos certificados e com alguma fiscalização e avaliação de um terceiro absolutamente independente”, finaliza o professor.




