Conta-se que o ditador russo Josef Stalin fez um concurso de desenho e atraiu vários artistas interessados em participar. O desafio era pintar um soldado do país sem uma perna.
O primeiro pintor, desclassificado, foi aquele que pintou a realidade. No quadro estava, portanto, o soldado de frente, sem uma perna.
O segundo desclassificado foi aquele que colocou a perna no soldado. A realidade, portanto, foi alterada, o que descontentou o ditador.
O terceiro, que levou o grande prêmio, foi o que pintou o soldado de lado, sendo que a perna existente disfarçou perfeitamente a perna que não existia.
Moral da história, a verdade pode estar presente, sem ser revelada. Desde que cumpra com o desejo do ditador.
Lula, no debate de ontem na Globo de ontem à noite (24), resolveu partir para cima de Flávio Bolsonaro pelo fato de o seu adversário tê-lo chamado de nove dedos.
O candidato à reeleição perdeu o mindinho da mão esquerda no período em que trabalhou como metalúrgico, nos anos 1960, em uma prensa hidráulica.
É evidente que Flávio não deveria ter cometido essa falha, esse sincericídio, porque feriu os sentimentos de Lula, que captou a ofensa.
Mas a realidade é mesmo que ele só tem 9 dedos, como Flávio afirmou. Este foi um momento curioso do encontro entre os dois candidatos, por enfatizar um ponto que Lula soube explorar.
Recordo-me do sentimento de Josef Stalin quando o artista lhe apresentou a realidade do soldado-modelo e outro que tentou mudar a realidade para contentá-lo.
O melhor mesmo seria Flávio não ter tocado nesse assunto. Lula não perdeu a oportunidade, exigindo que seu adversário pedisse desculpas em público pela verdade dita, e o desclassificou imediatamente.





