A aprovação de um novo medicamento pela agência reguladora dos Estados Unidos abre uma nova perspectiva para pacientes com câncer de pâncreas metastático. O daraxonrasib, desenvolvido pela farmacêutica Revolution Medicines e comercializado sob a marca Rasonque, apresentou resultados superiores aos da quimioterapia em um estudo clínico de fase 3, com aumento do tempo de sobrevida e de controle da doença.
A aprovação foi concedida em agosto de 2026 pela Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana responsável pela regulação de medicamentos. A indicação é para adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já receberam pelo menos uma linha de tratamento sistêmico ou que não são candidatos a esquemas de quimioterapia combinada. Segundo a FDA, os resultados de eficácia foram avaliados no estudo clínico RASolute 302, que comparou a medicação com tratamentos quimioterápicos convencionais.
Segundo a oncologista Maria Ignez Braghiroli, do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado ao Complexo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o avanço abre caminho para novas pesquisas sobre formas de prolongar a resposta ao tratamento.
Tratamentos disponíveis
A escolha do tratamento para o câncer de pâncreas depende do estágio da doença e da possibilidade de realizar uma cirurgia. Quando o tumor está localizado e pode ser retirado, a cirurgia é uma das principais opções terapêuticas, geralmente associada à quimioterapia. Nos casos avançados, em que a doença não pode ser removida cirurgicamente ou já apresenta metástases, a quimioterapia é uma das principais alternativas para controlar o tumor, aliviar os sintomas e prolongar a vida dos pacientes.
O daraxonrasib atua sobre proteínas da família RAS, envolvidas no crescimento das células tumorais e frequentemente alteradas no câncer de pâncreas. No estudo clínico de fase 3, que incluiu 500 pacientes, a medicação foi comparada a esquemas de quimioterapia escolhidos pelos médicos responsáveis pelo tratamento. Os resultados mostraram benefícios tanto na sobrevida quanto no tempo sem progressão da doença.
“Quando a gente teve a apresentação deste trabalho com essa medicação comparada à quimioterapia para pessoas que já tinham sido tratadas previamente, o resultado foi superior em taxa de resposta, ou seja, o quanto se consegue reduzir o volume de doença, e no tempo que essa doença ficou controlada. E por isso ela foi tão comemorada”, explica Braghiroli. Apesar dos resultados, a resposta ao tratamento pode variar conforme as características do tumor. Alguns tumores também podem desenvolver mecanismos de resistência ao medicamento, o que reforça a importância de novas pesquisas para ampliar a duração dos benefícios. A combinação do daraxonrasib com quimioterapia também está sendo estudada para avaliar seu potencial em outras etapas do tratamento. Ainda são necessários resultados adicionais para determinar a eficácia dessas estratégias.
Fatores de risco e sintomas
O tabagismo é um dos fatores de risco para o câncer de pâncreas. Histórico familiar da doença e algumas condições, como a pancreatite crônica, também merecem atenção. A adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada e atividade física regular, contribui para a prevenção de diversos tipos de câncer, embora não elimine o risco de desenvolver a doença.
A médica também destaca a importância de investigar sintomas persistentes, como dor abdominal ou nas costas, perda de peso sem causa aparente, amarelamento da pele e dos olhos, além de alterações na cor da urina e das fezes. Esses sinais podem ter diferentes causas, mas precisam ser avaliados por um profissional de saúde. O diagnóstico em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento, inclusive a realização de cirurgia, quando indicada.
No Brasil, a incorporação do daraxonrasib ao tratamento ainda depende da avaliação das autoridades regulatórias e das decisões relacionadas à sua disponibilização no País. Enquanto isso, as opções terapêuticas continuam baseadas principalmente na cirurgia, quando possível, e na quimioterapia. Para a especialista, os estudos com novas terapias-alvo representam uma perspectiva de avanço no tratamento de pacientes com doença avançada.
Fonte: Jornal de USP





