Tecnologias e estratégias nutricionais ganham espaço na Copa do Mundo de 2026
Paradas para hidratação, suplementação e equipamentos de monitoramento corporal ajudam a preservar o desempenho e a saúde dos atletas durante as partidas

A Copa do Mundo de 2026 trouxe novidades não apenas por ser disputada em três países e reunir, pela primeira vez, 48 seleções. A competição também tem chamado atenção pelas tecnologias e estratégias adotadas na área da nutrição esportiva. Entre as principais medidas estão as paradas padronizadas para hidratação, o uso de suplementos alimentares e os equipamentos empregados no monitoramento fisiológico dos jogadores.
As pausas para hidratação, realizadas por volta dos 23 minutos de cada tempo, mesmo em estádios climatizados e sob condições de clima ameno, geraram debates entre torcedores, que questionaram sua necessidade e o impacto sobre o ritmo da partida.

Apesar das críticas, Gabriel Loureiro Martins, pesquisador da Escola de Educação Física e Esporte da USP, destaca que a hidratação adequada é fundamental para preservar o desempenho e a saúde dos atletas, independentemente das condições climáticas.
A importância das pausas para hidratação
Durante uma partida de futebol, os jogadores perdem água e eletrólitos por meio da transpiração. Esse processo pode elevar a temperatura corporal, dificultar sua regulação, aumentar a percepção de esforço e comprometer tanto a capacidade física quanto a cognitiva.
Segundo Loureiro, diversos estudos clínicos mostram que uma perda de aproximadamente 2% da massa corporal por desidratação já pode reduzir o desempenho esportivo, especialmente em atividades que exigem corridas de alta intensidade. Quando a perda hídrica chega entre 4% e 6% do peso corporal, os riscos à saúde aumentam, podendo provocar dores de cabeça, tontura e cãibras.
Embora sejam especialmente importantes em ambientes de calor intenso ou alta umidade, as pausas para hidratação também são recomendadas em condições climáticas mais amenas. Isso porque a transpiração nem sempre evapora de forma eficiente, o que dificulta a dissipação do calor corporal e favorece o aumento da temperatura interna do organismo.
Suplementação e monitoramento dos atletas
O uso de suplementos alimentares pelos jogadores desperta interesse não apenas entre profissionais da saúde e do esporte, mas também entre atletas amadores. No futebol, os recursos nutricionais com maior respaldo científico são os carboidratos, a cafeína e os eletrólitos.
Os carboidratos ajudam a preservar os estoques de glicogênio muscular, principal fonte de energia durante a partida. A cafeína contribui para aumentar o estado de alerta e reduzir a percepção de esforço e de fadiga. Já os eletrólitos, especialmente sódio e potássio, favorecem a reposição e a retenção de líquidos no organismo, auxiliando na manutenção da hidratação.
Outra novidade é o emprego de tecnologias de monitoramento dentro e fora de campo. Equipamentos capazes de escanear a composição corporal dos atletas fornecem informações que auxiliam tanto na avaliação nutricional quanto no planejamento das estratégias de treinamento e recuperação.
Além disso, sensores que monitoram a frequência cardíaca e outros parâmetros fisiológicos ajudam a identificar possíveis sinais de desidratação e a acompanhar biomarcadores sanguíneos e urinários. Esses dados permitem avaliar a resposta do organismo ao esforço físico e mapear, com maior precisão, o desempenho dos jogadores ao longo das partidas.
Matéria: Gustavo Radaelli | Jornal da USP.



