Trump tem um jeito “menino de rua” de ser. Minha mãe chamava de meninos de rua aqueles moleques malcriados, que faziam coisas consideradas erradas pela maioria das famílias e azucrinava a vida dos demais garotos do bairro.
Quebravam vidro de janelas com bodoque, arrumavam briga facilmente na saída da escola, estragavam as brincadeiras dos outros e não iam bem nas disciplinas, porque não estudavam.
Esses meninos de rua não tinham ninguém na família para orientá-los corretamente. Eram de famílias desorganizadas, normalmente com pais presos, irmãos desempregados, irmãs sirigaitas. Era assim que a minha mãe dizia: “É uma sirigaita”.
Quando eu era criança, o politicamente correto não havia nascido e a realidade era vista com dureza e com clareza. Por isso, a preocupação dos nossos pais de saber com quem seus filhos estavam andando. Se fosse com esses meninos de rua, a reprimenda era severa.
Trump sempre foi um menino de rua. Tinha uma família desorganizada, aprendeu a se comportar com pessoas cruéis e trapaceiras.
A colunista Martha Medeiros, em O Globo, recorda que biografias do presidente dos EUA falam de um menino “boca suja”, que teria ferido um professor ao jogar um apagador em seu rosto e que jogava bolo nos convidados de suas festas.
Em razão da rebeldia, seu pai o tirou do colégio aos 13 anos e o internou em uma escola militar.
“Isso ainda diz pouco sobre sua infância, por isso divago por conta própria sobre como o pequeno Donald se sentia antes mesmo de ser um mocinho de 13 (ou um bandidinho de 13)”, destaca Martha.
Ela conta ainda que o dedo em riste de Trump, em um gesto que mimetiza uma arma apontada, é hoje a manifestação básica do “garoto iletrado”, que não sabe se expressar, porque “Donaldzinho saiu do colégio cedo demais, coitado”.
Desde então, não mais se aprumou. “... aprendeu somente a olhar feio para os coleguinhas e a dar ordens. Afunda barquinhos, ameaça e captura inimigos, rouba o que é dos outros — adora brincar de ser o dono do planeta. Justiça seja feita: lucra bastante com isso”.
Mas por que essa preocupação com o comportamento de Donald Trump? Simples, o homem não se apruma. Sua visão de mundo é rasa como um pires.
Sua análise sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia é deprimente.
Depois do inferno que ele fez no Irã, sem medir as consequências, orientou a Inglaterra sobre como conseguir o combustível para avião de que precisa, tendo em vista o bloqueio do Estreito de Ormuz.
“Para todos os países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão: Número 1, comprem dos EUA, temos bastante, e Número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vão buscar seu próprio petróleo!”, escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
Não precisa ser psicólogo para entender minimamente de comportamento humano. Desde que eu era criança, minha mãe já sabia tudo sobre Donald Trump, esse menino de rua.
Dona Isabel sempre defendeu intransigentemente a escola e tinha certeza de que ninguém ia a lugar algum na vida sem um bom estudo formal.
Trump e Lula são exemplos de que minha mãe tinha razão. Em se tratando de Brasil, pelo menos, o país nunca saiu do lugar desde então. Já os EUA, caminham para ser o Brasil do futuro.




