A eleição presidencial prenunciava um ambiente no mínimo canhestro para o Brasil. Mas a realidade, que está sempre à frente quando o assunto é arte, nos presenteou com o sinistro. Mergulhamos nas veias abertas da América Latrina, segundo Paulo Francis.
Alexandre de Moraes sabe que o caos o beneficia. Ele se diverte vendo as pessoas perdidas, sem saber para que lado olhar. É um despiste perfeito para dar vazão aos seus planos diabólicos. Ele não é um salafrário qualquer. Tem método.
Quando a razão falta, os sentimentos tornam-se primitivos. Os iluministas sabiam da importância da lógica para se chegar à verdade. Mas não avisaram a emoção. Os românticos chegaram e construíram uma muralha entre a razão e a paixão.
Por isso, quando razão e paixão se encontram, a conversa não é boa. A petulância domina a cena e elas brigam, como se uma não dependesse da outra. O Brasil está mergulhado na emoção e a razão ficou em casa.
Flávio Bolsonaro, que até ontem brincava de ter razão, mergulhou na floresta escura dos símbolos românticos, da forma mais brega possível. Ele não foi avisado de que o Brasil já caminha para sua fase dadaísta. Como o gugu dadá das crianças, adoramos um barraco.
Alexandre de Moraes sabe muito bem criar o caos para melhor compreender a estrela bailarina. Aí já estamos em Friedrich Nietzsche, e a sua obra máxima “Assim Falou Zaratustra”. E ele disse: “É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela bailarina”.
O próximo passo, sem ter que prestar conta à cronologia histórica, é conhecer o que aconteceu em Weimar e o nascimento da víbora. Daqui a pouco, a alfândega estará repleta de pessoas sensatas. O meu receio é ter que fechar este texto com Ivan Lessa, para que “o último a sair não se esqueça de apagar a luz”.





