Ontem escrevi um artigo para o site viletim.com.br com o título Dark Lula. Hoje escrevo outro com Lula Horse. A referência óbvia é o filme esquisito que está sendo feito em homenagem a Jair Bolsonaro e as controvérsias sobre o dinheiro do Banco Master, via Vorcaro, para financiá-lo.
Como diz a lenda, “a ordem dos tratores não altera o pó, Dutra”. Ouvi dizer que esta frase se refere a uma exposição com desfile de máquinas, quando o ex-presidente Eurico Gaspar Dutra sugeriu que os tratores menores fossem na frente para fazer menos poeira para os de trás. Até que uma das pessoas que o assessoravam saiu com a pérola.
O raciocínio não era tão matemático assim, como não é matemático o raciocínio da relação que eu faço entre os títulos dos meus artigos. Assim como não é matemático o raciocínio dos lulistas quando tentam fazer com que a revista Veja dê direito de resposta ao apedeuta por ter publicado uma ampla matéria em que Vorcaro afirma ter doado dinheiro para fazer um filme para Lula, como fez com Flávio Bolsonaro.
Acho que o pedido de direito resposta do candidato Lula ainda corre na Justiça, mas não creio que ele seja muito convincente para o eleitor. Tudo bem que podemos duvidar da Veja e da idoneidade do jornalista que apurou o conteúdo da matéria, mas há uma matéria muito boa de Andreza Matais, no site Metrópoles, que elucida o fato “filme de Lula”, complicando muito para o candidato. E Matais é estupenda.
Segundo as apurações da jornalista, desde 2024, a lobista Roberta Luchsinger – sim, esta é a pilantra do Lula – tem tido relacionamento com pessoas que estavam levantando recursos junto a empresários para a produção de um documentário sobre Lula, dirigido e produzido pelo cineasta americano Oliver Stone.
São mensagens que a cantora de luxo, ou melhor, Luchsinger enviou a um tal Gustavo Gaspar, com quem tinha um caso na época, segundo Matais.
“Amor, seguinte … o Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra captar dinheiro pro filme do Oliver Stone …”, diz ela na mensagem.
Aí entra o Lulão na história:
“O pai do Fábio (o presidente Lula) achou o filme uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá falar com ele. Mas q estão captando mto dinheiro usando o nome do presidente. Ele odeia isso. Bom, coisas de Zé .::”, diz o texto.
Há outros detalhes na matéria, que pode ser lida por este link. Enfim, em março de 2024, escreve Matais, numa conversa com o próprio Marcelo Bittencourt, Roberta Luchsinger pede que ele envie “alguma coisa de material” para que ela possa dar “uma sondada” com o Governo do Maranhão sobre um possível apoio ao filme. Em resposta, Marcelo diz: “Claro”. “Vou te mandar o que enviei para os outros parceiros”.
O texto de Marcelo tem até cotas para quem colaborar com grana. Segundo Matais, Marcelo, então, envia a Roberta Luchsinger um texto explicativo “sobre a cota do filme”. Segundo a mensagem, um investimento de US$ 300 mi dá direito a “dois ingressos para a estreia que terão 250 pessoas com a presença do presidente (Lula) e do Oliver Stone”. E assim vai. A pretensão era chegar a Cannes com a obra.
O levantamento de Matais traz mensagens que envolvem mais seriamente o presidente Lula. Mensagens de Lulinha: “É o documentário do Oliver Stone”, diz ele. “Quem ficava trocando cartinha do Oliver e meu pai preso era eu toda quinta-feira”, diz Lulinha. “Fazia a ponte com Fernando Morais”, diz ele.
Matais suspeita que o filho do presidente provavelmente estava se referindo ao escritor Fernando Morais, biógrafo de Lula e que atuou como consultor no documentário de Oliver Stone. São investigações que nos remetem ao Careca do INSS e a toda uma outra face do mesmo crime.
Por isso, não é fácil Lula se desvencilhar das encrencas que arrumou. A história do filme não é invencionice da Veja. Pode conter, sim, uma fala ou outra fora de lugar, mas a essência é certa e cristalina.
No artigo anterior, eu escrevi que Lula ficou com inveja de Flávio Bolsonaro e queria também um filme para chamar de seu. Porém, acho que a questão central não é apenas de vaidade, mas de crime mesmo. Não adianta Lula tentar pintar seu cavalo de branco, como o de Napoleão, porque a história é de arrepiar. O horse de Lula também é dark.



