Eleições. Da série “Quer que eu desenhe?”
d'après Danilo Gentili em Não é Imprensa.
Depois da queda, o coice. Coice em nós, não neles, claro, eles sempre se safam.

É preciso dizer que político é como mulher de malandro? Apanha, depois afaga?
Depois de ser xingado por Marçal de “cheirador”, depois que o coach apresentou laudo falso “atestando” que ele seria mesmo usuário pesado de cocaína, Boulos vai agora aceitar os votos de Marçal.
Como disse o Danilo Gentili no NEIM, “Marçal chupa Boulos”.

Segundo turno é tipo festa que a gente quer esticar. Acabou tudo, vai todo mundo para um barzinho qualquer, beber mais. Mas já deu.
Marçal diz que não apoiará Nunes e quer pedido de desculpas do prefeito, de Bolsonaro e de Tarcísio falando da exigência para Bolsonaro pedir desculpas

Marçal conseguiu chegar a um entendimento correto, embora viscoso: no Brasil, quem canta de galo, bate o galalau na mesa, vira macho e fala grosso é quem consegue se impor na política. E convence o eleitor.
Para aproveitar, ele ainda roda a baiana.
Tudo isso já faz parte da campanha para presidente em 2026 pois, perdoem-me novamente o clichê, ele está dobrando a aposta. Como Lula, ele não quer perder tempo com cargos menores, vai direto para a presidência. Ou seja, está partindo direto para as cabeças.
Quem tem boca vai a Roma, quem tem marqueteiro vai a Brasília.
Marçal aprendeu muita coisa com Lula e os petistas, inclusive a falar uma coisa hoje e outra amanhã.
Depois de amanhã, ele muda de ideia sobre mudar de ideia, e depois de depois de amanhã ele muda de ideia, de novo.
Enquanto isso, na Caipirolândia…
Perguntar não ofende:
Alguém aí está interessado em saber quem Luciano Almeida irá apoiar no segundo turno?
Corta para o resto do mundo: Kamala Harris, mistura de Regan e Goneril, Joe Biden, um rei Lear desidratado, sem bobo da corte nem Cordélia.
Se não leram “Rei Lear”, leiam. De William Shakespeare, um moço bão, do interior. Da Inglaterra.
Não há um Shakespeare para escrever algo que preste a respeito de Kamala e Biden. Na falta de um Shakespeare da era do X/twitter, resta-nos usar o Shakespeare original como referência, o que é um baita ponto de partida. A demência de Biden, a debilidade e falta de autoridade ecoam as tramas da peça teatral do bardo inglês. Ecoam as vaidades do rei senil, a divisão de sua herança antes do fim de seu mandato, ops, sua vida, e o esvaziamento de seu poder e deposição, tudo tramado pelas próprias filhas e genros. Aqui, no caso, o Partido Democrata.
O Bardo não previu nada, descreveu de forma trágica (e sublime) o quanto o ser humano se repete, faz de novo as mesmas burradas, comete as mesmas injustiças, trama e executa as mesmas chicanas, ano a ano, século a século. Suas motivações são as mesmas dos tempos dos sumérios, romanos ou ingleses elisabetanos. Não há evolução emocional, nem moral. Não melhoramos nada.




