Como eu disse no artigo de ontem, o mundo não acabou e nem vai acabar. Embora a vitória de Trump tenha sido “acachapante”, como diria o prof. Villa, e muita gente na imprensa americana e também brasileira tenha ficado triste.
Alguns vão até dobrar o Prozac, para tomar fôlego, porque o mundo de repente virou um lugar muito frio e sombrio, sem um democrata na Casa Branca.
Já bastava a esquerda não ter conseguido nem metade, nem um terço, das prefeituras do Brasil. Só falta agora um presidente de direita, conservador, reacionário, negacionista, ser eleito em 2026. Pior que isso só o Bolsonaro se tornar elegível de novo e voltar ao palco.
Um grito ficou entalado na garganta dos abnegados que cobriam a eleição americana. A alegria de apresentar a notícia da eleição da primeira presidente, mulher e negra, do maior país capitalista do mundo, voltou para o armário da decepção.
A cara triste dos apresentadores da Globonews diz tudo.
O excelente time de analistas da imprensa brasileira comete análises como esta:
Ricardo Noblat: “Com Trump, Estados Unidos se inclinam ainda mais para a direita”.
Sério? Se não tivesse dito, eu não tinha percebido. Análise de gênio.
Depois de um artigo onde ele fala tudo sobre a eleIção que já foi falado exaustivamente em outras notícias, Noblat termina com uma frase que deveria ser a abertura de sua coluna de análises (foi por uma análise que eu paguei, oras bolas):
“As consequências políticas e econômicas disso para o mundo serão profundas.”
E termina assim. Uau. Ficou tão atordoado e decepcionado que nem quer dar sua opinião sobre quais sejam estas consequências. Não sobrou ânimo para imaginar como será o fim do mundo.
Reinaldo Azevedo: “Trump fala manso, diz que vai cumprir promessas e exalta Musk. E o Brasil?”
Fala manso... engraçadíssimo. É claro que, torcendo para Kamala, Azevedo queria que Trump cumprisse o que se passa na cabeça da “imprensa do bem”, que Trump tirasse a camisa, subisse no palco batendo no peito como um gorila e berrasse frases nazistas.
Mas surpreendentemente, ele falou manso. E ainda disse que vai cumprir promessas! Que fantástico! Será que os parabéns de Kamala Harris pelo telefone amansaram o bicho e ele se converteu de um minuto para o outro?
Lulazevedo não perde a chance de bater em Musk, que teve a audácia de criticar um de seus patrões, o STF.
O Brasil? O Brasil é um detalhe, Lulazevedo. Vamos continuar vendendo café, petróleo e carne para os EUA, e continuar recebendo iphones e smartphones e muitos outros produtos e serviços. Ou seja, vendendo gato pra comprar camarão.
É claaaaaro que análises muito boas foram publicadas também. Mas estas, acima, se notabilizam por serem de personagens da imprensa que têm um público que engole qualquer coisa vinda deles, como um jacaré que come isopor banhado em sangue, por conta do cheiro.
Além da imprensa, os humoristas também deviam estar agradecidos por terem um bode expiatório contra os males do mundo e um ótimo mote para seus textos, pelos próximos quatro anos.
Sem o Bolsonaro está chato, ninguém faz piada com o Lula. E quem faz é processado.
Como disse Fernando Pessoa, “arre, estou farto de semideuses...”



