Hoje é um dia diferente para todos os brasileiros que observam a luta intestina entre os quadros do STF. Pode ser um dia consagrado a grandes mudanças no cenário nacional, com alguns avanços nas decisões judiciais da instância máxima do país.
Mas pode ser também mais um dia de consolidação da tese de que vivemos em um país completamente dominado por grupos terrivelmente espertos.
Entre os terrivelmente espertos do STF estão Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin, todos interessados em fazer com que a sessão de amanhã seja jogada para as calendas.
A pauta em questão? Saber se Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado devido à sua relação para lá de suspeita com Daniel Vorcaro, suposto dono do Banco Master.
Os amigos de Moraes são exímios em procedimentos especiais, que possam fazer da sessão uma fantasia de Edson Fachin, o presidente da Corte. Além de que, colocar Moraes na mira da Justiça e arrombar o bunker dos espertinhos.
Eles vão tentar até o final do dia de hoje uma fórmula para que o adiamento da sessão ocorra da forma mais natural possível, como um passe de mágica. “Tudo dentro da legalidade”. Se vão conseguir, só eles sabem, e Lula, claro.
Alguns analistas veem a possibilidade de pedido de vistas durante a sessão de amanhã, o que daria um fôlego incrível aos espertinhos.
Mas há o risco, como também já foi observado pelos mesmos analistas, de os ministros que querem a abertura do processo contra Moraes anteciparem seus votos, mesmo diante de um possível pedido de vistas, o que inutilizaria, de certa forma, o pedido de vistas. Pelo menos diante da opinião pública. Estamos supondo aqui que a investigação seja aprovada pela maioria, que anteciparia seu voto.
Mas faltam a certeza dos votos de Fachin e Carmem Lúcia. Engraçado isso, não? Já pensou na possibilidade de o próprio homem que agendou a sessão para amanhã, o presidente da Corte, votar contra a investigação?
Carmem Lúcia, por sua vez, sempre foi um bagre ensaboado. Seu voto é muito vulnerável aos donos do poder. Com um discursinho furreca, ela acaba aderindo aos mesmos espertinhos de sempre. Esperamos que desta vez ela esteja segura de si.
Quando se fala em Justiça contra poderosos, este é o país da surpresa, diante da qual o pior para a nação sempre acontece. Apostamos que o óbvio não esteja presente na sessão de amanhã, senão ele tende a acabar com todas as nossas esperanças.




