O pior cego é aquele que não sabe torcer
Nos bastidores, tenho observado que todos eles consideram o marketing em relação ao Brasil muito agressivo
Eu propus a existência de dois tipos de torcedores para o jogo de hoje, entre Brasil e Escócia. O primeiro grupo seria formado por pessimistas, mas que acreditam na vitória da seleção canarinha. Outro, composto por otimistas, mas inseguros quanto ao resultado.
No entanto, não sei se por superstição ou não, os que predominam são otimistas que acreditam de fato no time de Ancelotti e na vitória nesta noite. Não gostam da palavra pessimismo. Do outro lado, há os pessimistas assumidos, que desde os amistosos veem esta Copa como perdida.
Nos bastidores, tenho observado, que todos eles consideram o marketing em relação ao Brasil muito agressivo, com um entusiasmo televisivo desmedido. Ou seja, a percepção média é de que o time do Brasil não é essa Coca-Cola toda e a confiança é baixa. Contraditório, mas realista.
Em minha análise, a Escócia tem um time coeso, articulado nos passes, mas sem criatividade. Se o passe de bola funcionar como uma estratégia para surpreender o Brasil, há margem para o adversário vencer. Por outro lado, há um espaço muito grande para o time brasileiro nas jogadas individuais, que quebrariam as triangulações escocesas. Temos craques para isso.
Mas pode ser que seja aquele tipo de jogo amarrado, sem nada de brilhantes dos dois lados. Pode ser também uma noite de show brasileiro. Em síntese, há espaço para todos os tipos de torcedor, da situação, da oposição e do centro. Diferente do que se vê na eleição para presidente da República, onde os extremos duelam feito loucos, em um jogo feio de assistir.
É melhor torcer para a seleção brasileira, mesmo que essa decisão seja empurrada apenas pelo entusiasmo coletivo exagerado. Seja na vitória ou na derrota, há sempre uma festa antes. No caso eleitoral, a festa será somente para aqueles que torcem para o pior, mesmo achando que está com o melhor time do mundo. O pior cego é aquele que não sabe torcer.





