Agora o assunto é corrida eleitoral. Uma corrida em que todos os candidatos estão parados. Estáticos, podemos dizer. Está mais para teatro Nô, japonês, do que para São Silvestre. Quem ganhar será por um gesto que a maioria do público não vai entender. E não sei se vai aplaudir.
Lula derrete, mas o sol não é forte o suficiente para o seu iceberg político, que mais esconde do que mostra. Lula tem muito a esconder. Este é o medo de parcela do eleitorado, que vê a pontinha de sua cabeça, mas sabe que muita coisa está debaixo d’água.
Flávio pode ser o Titanic que segue na direção do iceberg. Todo mundo faz festa. O violinista dá uma de Paganini. Mas pode ser um naufrágio anunciado. Ou não. Mesmo assim, não podemos dizer que Flávio seja o sol escaldante que faz Lula derreter. Lula derrete por si mesmo.
O eleitorado, sim, terá que escolher entre Lula e Bolsonaro, mas gostaria de escolher um prato menos indigesto, pois sabe que vai passar mal no dia seguinte. Lula é a Buchada de Bode. Só nordestinos conseguem devorar como se fosse uma comida saborosa.
Flávio Bolsonaro é um moço estranho, desses que entrou para a máfia muito cedo e confunde regras de máfia com regras da sociedade. Seu jeito de ser é sempre fake, porque sabemos que a verdade está sempre a um passo do que ele fala. Ele vive em um espelho mágico, que confunde o eleitor. Flávio pode ser o fim do lulismo, o que é bom. Mas pode ser o início de algo muito perigoso para o país, do tipo santo salvador, um António Conselheiro de calça jeans, mas que esconde seus defeitos como um criminoso qualquer.
Seu miolo é mole. Esquece tudo de errado que fez, mas lembra tudo de errado que seu adversário faz. Uma memória seletiva. Nesse quesito, ele é igual a Lula, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes. Não transmite confiança. Seu pai é igual. Seu irmão Eduardo é mais torto ainda. Age de forma sinistra.
Se ele ganhar, pode surpreender com seu gangsterismo noir. Lula é um gângster convencional. De qualquer forma, o Brasil estará diante de uma surpresa. De um gângster. Sua visão conservadora é daquelas desenvolvidas em roda de conversa de amigos, sem a presença de livros. É algo tipo geração espontânea. Por isso dá medo, porque as experiências chegam a ele contadas até por alguém que leu alguma coisa, mas não entendeu direito. Lula é mais franco ao dizer que livro é uma coisa que lhe dá sono.
Ganhe quem ganhar, em 2027 teremos um país mais pobre, mais enfraquecido, com um governo aloprado, sem noção do que fazer. Claro, ambos sabem o que vão fazer, para eles. Se tem uma coisa que político brasileiro aprende no berço é roubar. Não digo todos. Digo apenas aqueles de sucesso. Não se vai longe na política nacional se não se souber onde será a reunião mais importante da semana, aquela do porão, onde se fumam charutos e se bebem uísques de primeira.
O Brasil é um país à beira de um porão eterno.
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Mas o Carnaval está chegando e tudo passa:
“Você pensa que cachaça é água?
Cachaça não é água, não.
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão.”
O que sintetiza mesmo a nossa situação em 2027 é a outra parte:
“Pode me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta, não”
Esta é a sina do brasileiro?



