O que esperar das investigações sobre o Banco Master?
Suponho que o fim da festa será em breve e tudo voltará à normalidade para o crime
Como defender Jaques Wagner (PT) da esperteza do senador de se envolver com Daniel Vorcaro? Fala-se também de Rui Costa, companheiro de partido, outro baiano de velha cepa, que não perdeu a oportunidade de levar a sua parte.
A esperteza do suposto banqueiro, sem dúvida, foi não poupar dinheiro em suas relações com parlamentares e juízes de todos os espectros políticos e ideológicos. Construiu uma rede tão ampla de subornados que agora só resta ao establishment encontrar uma forma de melar as investigações e as condenações.
É nesta hora que entra a sabedoria de Gilmar Mendes e de Lula. Ambos sabem como ninguém manobrar as ferramentas existentes para contornar a crise. Um telefonema, um sinal, uma palavra cifrada, uma troca de chefia, coisa pouca, e já era. A normalidade estará de volta em breve e ninguém saberá mais de nada.
Foi assim com a Lava-Jato, que funcionou mais como uma escola para a bandidagem do que como exemplo para conter a criminalidade de colarinho branco no país. Me recordo que se fazia na época relação entre as investigações no Brasil e as investigações sobre os crimes da máfia italiana. Porque os processos no além-mar não deram em nada. A ideia era evitar os erros da suprema corte contra a Cosa Nostra. Mas aconteceu por aqui algo risível pela facilidade que foi destruir o que parecia ser o maior processo civilizador da nação em toda a sua história. E quem comandou a melação? Gilmar Mendes. Ele que deu o sinal para os juízes. De defensor das punições, virou a casaca do dia para a noite após uma análise política da situação, como ele mesmo revelou.
Poucos anos após, o país vive um cenário bem pior, com muito mais dinheiro distribuído, suponho, e com um articulador do crime muito mais expansivo e democrático, Vorcaro. Se na bandidagem anterior tudo se resolveu sem problemas, por que não aconteceria a mesma coisa agora? A maioria dos envolvidos está bem tranquila, à espera apenas do momento de gargalhar dos brasileiros. Claro, haverá uma falha no processo. Haverá um acerto de contas nos bastidores. Haverá uma forma sutil de apagar tudo da memória do brasileiro. Como dizia Ivan Lessa, o brasileiro esquece tudo de tempo em tempo, como se resetasse seu hardware mental automaticamente.
A única preocupação é um ou outro ter que ficar preso como exemplo, mas por tempo curto. O próprio Vorcaro, por exemplo. Imagine se ele se sentir abandonado na Papudinha, de fato. A casa cai. Mas não é possível pensar diferente do que aconteceu com a Lava-Jato. Por isso, o juiz André Mendoça precisa estar atento e com seu retrovisor bem limpo. A todo tempo, ele terá que enfrentar Gilmar Mendes se quiser de fato levar adiante as investigações. Se ele conseguir seu intento, será um herói, status que Sérgio Moro não conseguiu, apesar do seu trabalho intenso e digno.
O que ficou para Moro? A perseguição de Gilmar Mendes, que tenta fazer com que o juiz do Paraná suma do mapa. Ainda bem que Moro é obstinado e pode começar a construir sua muralha moral exatamente no Paraná, estado em que pretende governar e tem tudo para seu objetivo ser alcançado. Há muitas críticas a ele, pelo fato de estar hoje no PL, um partido para lá de suspeito em falcatruas. Mas, creio eu, é do jogo, se ele não se corromper. Como todo homem tem seu preço, espero que Sérgio Moro esteja acima de uma frase de efeito, por mais forte que ela seja.
Para sintetizar, olhando para André Mendonça, de fato vemos o último bastião da moralidade no STF. Mas será que ele suportará as artimanhas do decano? Alexandre de Moraes e Dias Tofolli são pintos perto de um dos maiores destruidores de memória do país, depois de Lula, claro.




