O realismo nacional é contraditório
As opções eleitorais fora do extremismo não avançam e continuam na rabeira do processo
Faça sua aposta. Até o presente momento, o eleitorado brasileiro, segundo as pesquisas, está preso em duas possibilidades de candidatos. Ambos classificados como extremistas. Um eleitor um tanto quanto condicionado a dizer que quem não está de um lado, está do outro. Tese boba, porém forte.
São eles: um ex-presidiário, pego pela operação Lava-Rápido, cujo filho é suspeito de ter recebido mesada de Roberta Lushsinger, parceira de trabalho do Careca do INSS, preso pela Polícia Federal por ser um dos cabeças nas fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Luis Inácio Lula da Silva é também amigo do peito do Senador Jaques Wagner, pego agora pela PF pelo seu envolvimento nos esquemas de propina de Daniel Vorcaro, suposto dono do Banco Master. Jaques Wagner é também líder do governo no Senado.
O segundo é Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, preso por tentativa de golpe de estado, e irmão de Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de promover sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
Flávio está envolvido também em esquema de suposto repasse irregular de recursos do Banco Master, via Daniel Vorcaro, para a realização do filme em homenagem ao seu pai, Jair Bolsonaro. Transação ocorrida após revelação dos esquemas de corrupção de Daniel Vorcaro.
Este é o retrato do Brasil no momento, em que ambos os líderes nas pesquisas de opinião têm biografias bem ricas em falcatruas, tipificados como verdadeiros representantes latino-americanos. América Latrina, segundo Paulo Francis.
Por outro lado, as opções eleitorais fora do extremismo não avançam e continuam na rabeira do processo, ainda sem chances de se destacar no painel exuberante de lideranças nacionais. É um Brasil fadado a escolher dois estilos morais, entre o roto e o esfarrapado.
Isso porque o brasileiro escolheu ignorar a corrupção entre os políticos como um problema nacional. É como se dissessem assim: se não for corrupto, não é político. Se não está ligado a esquemas criminosos, não tem a menor chance de ser candidato a presidente da República.
Uma visão realista, sem dúvida. No entanto, é a mesma visão que nos coloca entre os países mais inseguros para se investir entre os países em desenvolvimento. Com isso, nos mantemos estagnados e com a criminalidade em alta. Contrastando com isso, o eleitorado que vai eleger uma das duas opções é o mesmo que acha que a insegurança pública é o maior problema nacional. Insegurança que tais escolham alimentam. Contraditório. Mas o realismo nacional é contraditório. Um tiro no pé.




