Ortopedista Daniel Giacóia, coordenador do Departamento de Ortopedia da Santa Casa de Piracicaba, analisando um exame de raio-x
A osteoporose reduz a quantidade e a qualidade da massa óssea. Com isso, o osso fica mais frágil e pode se romper mesmo sem trauma. A perda ocorre de forma gradual e, na maioria dos casos, não provoca sintomas. Por isso, o diagnóstico costuma acontecer apenas depois de uma fratura, que pode comprometer a autonomia e a qualidade de vida do paciente. O Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado em 20 de outubro, chama atenção para a doença.
Segundo o ortopedista Daniel Giacóia (CRM 184338 / RQE 85152), coordenador do Departamento de Ortopedia da Santa Casa de Piracicaba, a condição surge quando o corpo perde mais massa óssea do que consegue repor. “É uma doença silenciosa, que se desenvolve ao longo dos anos. Muitas vezes, o paciente só descobre quando sofre uma fratura”, afirma. As mais frequentes atingem as vértebras, na coluna, e o quadril. As vertebrais estão associadas a dores crônicas, deformidade e perda de estatura. “As fraturas de quadril, em geral, são mais graves e podem resultar em imobilização, cirurgia ou até mesmo morte”, explica o médico.
Mulheres após a menopausa e pessoas idosas formam os grupos mais afetados. No caso das mulheres, a queda na produção de estrogênio nesse período provoca perda de massa óssea. Os homens também desenvolvem a doença, com a deficiência de testosterona e o envelhecimento como principais fatores. “Aproximadamente um em cada quatro homens, após os 50 anos, sofre uma fratura decorrente da osteoporose. A falta de conhecimento e de interesse em fazer o diagnóstico leva a uma descoberta tardia”, alerta Giacóia.
Além das alterações hormonais e do envelhecimento, a osteoporose pode estar relacionada à deficiência de vitamina D, a disfunções nas glândulas paratireoides e na tireoide, à quimioterapia, ao uso de glicocorticoides (cortisona) e à cirurgia bariátrica. O ortopedista destaca ainda a incidência de perda óssea em pessoas com câncer ou com doenças reumatológicas. Entre os pacientes oncológicos, o risco é maior nos casos de câncer de mama, de próstata e de neoplasias hematológicas, como linfoma, leucemia e mieloma múltiplo. “Nesse grupo, a avaliação precoce da massa óssea é importante para que medidas de prevenção ou de tratamento sejam adotadas”, afirma.
O exame indicado para o diagnóstico é a densitometria óssea, de radiologia, que mede a quantidade de osso na coluna lombar e no quadril (colo do fêmur) e, em alguns casos, no antebraço. “É um exame simples, rápido e indolor. Com ele, é possível definir se a pessoa tem massa óssea normal, baixa ou osteoporose”, explica Giacóia. O resultado, porém, não dispensa a consulta. “A avaliação médica define os fatores de risco e os exames complementares, laboratoriais e de imagem, que vão orientar as recomendações de prevenção ou de tratamento. Em alguns casos, também é necessário o acompanhamento de um fisiatra, para avaliar o risco de quedas e de fraturas.”
A prevenção deve começar cedo. De acordo com o ortopedista, a prática regular de exercícios físicos, em especial os de impacto e de fortalecimento muscular, ajuda a manter os ossos fortes. A ingestão adequada de cálcio, presente em leite, queijos e vegetais verde-escuros, e de vitamina D, obtida por exposição moderada ao sol e por alguns alimentos, também tem papel importante. “Também é preciso evitar o consumo excessivo de álcool e o tabagismo, que aceleram a perda de massa óssea”, afirma.
Quando a doença é diagnosticada, o tratamento combina medicamentos que aumentam a densidade óssea e reduzem o risco de fraturas com mudanças no estilo de vida. O acompanhamento médico é necessário para monitorar a evolução do quadro e ajustar a terapia. “Cuidar da saúde dos ossos é uma tarefa para todas as idades, e a prevenção é a melhor forma de garantir qualidade de vida no futuro”, conclui Daniel Giacóia.




