Lula tem um faro muito bom para se posicionar junto ao seu eleitorado. Não precisa se esforçar muito para ser bem-sucedido. É só falar o que ele próprio acredita, que estará no território do pensamento médio dos eleitores ideológicos que o apoiam, faça chuva ou sol.
Mesmo assim, Lula às vezes extrapola. Em sua mais recente manifestação pública, disse que Flávio Bolsonaro seria um traidor da pátria e mereceria morrer como Tiradentes. Só porque o filho de Jair esteve nos EUA e falou com Trump sobre o CV e PCC. Tenta-se afirmar que Flávio tratou também do PIX e do tarifaço com o presidente dos EUA. Mas não é possível confirmar isso.
Flávio Bolsonaro, diante da ameaça, reagiu à manifestação e abriu uma notícia crime contra seu adversário.
Claro que Lula vai dizer que não foi bem entendido sua tese, foi retirada de contexto, etc. Sempre é retirada de contexto uma tese furada e besta dita por um político em público. Mas o apedeuta está blindado para dizer o que quiser, inclusive defender o enforcamento de Flávio. Fosse outro e o próprio Gilmar Mendes diria algo para justificar a necessidade de ação do STF. Como é Lula, deixa para lá.
Mas a observação sobre a dinâmica da campanha deve estar em outra seara, deve estar no resultado eleitoral das políticas populistas de Lula. Ele abriu facilidades para todos os seguimentos sociais que lhe eram mais avessos. Até os evangélicos podem ser beneficiados com menos impostos e ajudas diversas. Se essas benesses funcionarem e houver de fato migração de eleitores que votariam em Bolsonaro para Lula, a estratégia funcionou.
Mas se não houver, significa que a isca não foi mordida pelo eleitorado mais vulnerável a esse tipo de política assistencialista. Aí outro cenário precisa ser considerado, uma vez que o público do meio (nem Lula nem Bolsonaro) também não reagiu como robalo de tubarão.
Só uma piadinha de criança para dar graça à conversa: “De que tipo de peixe Lula mais gosta? A resposta é simples: robalo. Kkkk
Mas voltemos. Há uma necessidade imperiosa de que algum movimento subterrâneo e consistente do eleitorado independente movimente o atual quadro eleitoral, que não passa pelos extremos Lula e Flávio. Penso aqui em Renan Santos, do partido Missão. É o único que tem crescido nas pesquisas, por fazer uma pré-campanha eficaz junto à juventude que se movimenta nas redes sociais.
Renan Santos não é um despreparado e já sugeriu a possibilidade de fazer uma dobradinha com Ronaldo Caiado (PSD) no momento oportuno. Ele esteve na Faria Lima e falou com lideranças do setor financeiro, que admiraram a desenvoltura do moço. Claro que o momento agora é de Copa do Mundo. O eleitorado está de olho no gramado e quer ver jogo de futebol.
Por isso, não se deve descartar a possibilidade de novidades assim que o foco voltar a ser eleição presidencial e Renan Santos ser o destaque. O Brasil carece de gente nova e Renan está aí com essa missão. Espera-se que ele não se perca em excessos e vire também um extremista irresponsável.
Evidente que torço pela novidade. Se não for dessa vez, que ao menos Renan faça seu nome e se projete para um futuro próximo. Ter coragem de criar um novo partido, que se diz diferente dos demais, já é uma ação digna de respeito. Mas o Missão precisa de fato ser diferente, porque partido político é o que não falta no Brasil e todos eles estão de olho no fundão eleitoral. Até mesmo o NOVO, que nasceu com o mesmo discurso, acabou na vala comum dos partidos nacionais.
Lançar candidato com peso e propósito é importante. É isso que Renan precisa mostrar, que veio para indicar um país que está na outra página. Virar a página é importante. Tanto Lula como Flávio Bolsonaro fazem parte da mesma página da história política nacional. Caiado e Zema, apesar de serem do meio, ainda estão na mesma página. Seriam escolhidos pelo eleitorado do meio pelo critério menos pior. Mas Renan é o que pode virar a página de fato. Quero crer.




