Escrevi em artigo recente sobre a importância do segundo turno para o equilíbrio do poder, uma vez que alianças costumam ser estabelecidas nessa etapa e o candidato se propõe a abrir espaço em eventual um governo para aqueles que estiverem ao seu lado. Uma atitude que deixa o eleitor moderado menos tenso sobre sua derradeira escolha.
O que está sendo discutido no momento é um pouco diferente. Espera-se que os candidatos do grupo de centro/direita se retirem da disputa para apoiar Flávio Bolsonaro. O exercício visa fortalecer o candidato e até levá-lo à vitória logo no primeiro turno.
O líder do movimento é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já conseguiu isso na disputa para o Senado, com a desistência de Ricardo Salles esta semana em apoio à dobradinha Guilherme Derrite e André do Prado. Pode ser que funcione.
Em última instância, seria a mesma lógica de um eventual segundo turno, mas se antecipando às alianças. Há nessa estratégia certo receio de alongar a eleição para que Lula não continue em sua sanha demolidora de estourar os cofres públicos para se reeleger ou o STF tirar mais alguma coisa nova da cartola para prejudicar Flávio.
A emergência da decisão é, de toda forma, arriscada, mas faz sentido, porque a eleição seria decidida neste domingo (4), sem deixar espaço para estratégias adicionais, em uma aposta no tudo ou nada. No entanto, precisa que todos ou parcela expressiva dos candidatos de centro/esquerda com percentual significativo de votos, segundo as pesquisas, aceitem o acordo.
É um plano que deve valer para Augusto Cury, Caiado e Romeu Zema. Isso demonstraria uma forte aliança, que repercutiria em um novo governo, não mais fechado apenas em Flávio Bolsonaro. É o que daria peso e qualidade ao acordo.
Mas, caso Augusto Cury e Caiado não aceitem, há a possibilidade de eles concentrarem os votos dos moderados e a disputa ir para o segundo turno mesmo assim. Renan Santos certamente continuará em sua atuação solo. Só Romeu Zema aderindo a Flávio, como se espera neste exato momento, é apenas uma aposta de que isso possa desequilibrar a eleição presidencial em Minas Gerais a favor de Flávio. Mas não garante algo mais seguro.
É um tema para ser monitorado no dia de hoje, para que se dê tempo de o eleitorado saber das mudanças e isso repercutir nas urnas. A estratégia é válida, mesmo assim não elimina a possibilidade de segundo turno, mantendo o risco Lula de aventuras de última hora, em ataque de desespero pelo alto risco de uma eventual derrota.
Mas nada elimina, evidentemente, o sucesso do adversário.





