Até tu, Paulinho?
Paulinho da Força preferiu dar uma força para Flávio e mudou de barco
O cenário está ficando tão crítico para o presidente da República, que até o relator da PL da Dosimetria, Paulinho da Força (Solidariedade), disse ontem à STB, no telejornal News Noite, que deixou seu velho aliado, Luiz Inácio Lula da Silva, para entrar na barca de Flávio Bolsonaro.
O argumento dele é simples: Lula insiste em decisões erradas e o Congresso Nacional quer virar a página, saindo do conflito entre os extremos. “O governo está desgastado e Lula, vingativo”, enfatizou o sindicalista.
Os holofotes, após a queda do veto de Lula à PL da Dosimetria, que reduz o tempo de pena da turma do 8 de janeiro e de Jair Bolsonaro, estão voltados para o STF, que pode propor alguma decisão contrária à decisão do Senado, tomada no último dia de abril.
Segundo o que se ouve em Brasília, o governo tem dito, nos bastidores, que vai judicializar o caso. Para Paulinho, isso tende a desgastar ainda mais o presidente e enfraquecê-lo ainda mais em plena campanha para a sua reeleição.
“Lula não entendeu as duas derrotas (rejeição de Messias e derrubada do veto da PL da Dosimetria) e tende a aprofundar a disputa com o Congresso. Se ele quiser retaliar, o cenário muda. É fato que o presidente passou a governar apenas para o pessoal que o visitava na prisão. Ele não governa nem mais para o PT. Mas ele deveria governar para o Brasil”.
O deputado federal contou que fez campanha para Lula na última eleição, bem como em anteriores, mas não tem tido nenhum espaço junto ao atual governo.
“Lula me recebeu apenas uma vez ao longo de todo o seu mandato”. Para o sindicalista, esta eleição será ainda polarizada entre extremos, mas será a última com essas características.
Abril, pelo que tudo indica, abriu também as portas para mudanças radicais nas relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não se deu por motivos republicados, mas pela disputa doentia entre eles, para saber quem escapa em um ambiente totalmente contaminado pela criminalidade, envolvendo a todos.
O sistema presidencialista no Brasil está ainda muito longe de Montesquieu e muito próximo Daniel Vorcaro. Os poderes por aqui, não são harmônicos e independentes, muito pelo contrário. São conflituosos e dependente das circunstâncias.
Já conseguiram imaginar uma delação premiada de Vorcaro, Lula, Moraes e Alcolumbre no caso Master? O inferno é esse nosso imaginário de que o Brasil é comandado por politicopatas. O que não é uma verdade, mas também não é mentira.




