Pequenas doses diárias de movimento ajudam a prevenir o câncer
No contexto do Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, especialista reforça que não é preciso treinos intensos para obter benefícios
O médico oncologista Fernando Medina, diretor do Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba
No Brasil, quase metade da população não atinge os níveis mínimos de atividade física recomendados — um cenário que acende um alerta para a saúde pública: o sedentarismo está diretamente associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e diversos tipos de câncer.
Estudos globais com milhões de pessoas indicam que a prática regular de atividade física pode reduzir em até 30% o risco de determinados tipos de câncer. No câncer de cólon, a redução pode chegar a 24%, e, no de endométrio, a quase 30%, além de evidências de proteção para tumores como os de mama, pulmão e pâncreas.
Para o oncologista Fernando Medina, diretor do Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba (CECAN), combater o sedentarismo é uma das estratégias mais eficazes de prevenção. “A atividade física é uma ferramenta acessível e poderosa. Subir escadas, caminhar em ritmo mais acelerado, pedalar ou intensificar tarefas do dia a dia já fazem diferença”, afirma.
O especialista reforça que pequenas doses de movimento já trazem benefícios relevantes. “O mais importante é evitar longos períodos sentado. Ficar mais de quatro horas seguidas nessa condição aumenta o risco para diversas doenças, e uma hora de exercício não compensa muitas horas consecutivas de inatividade”, alerta.
Do ponto de vista biológico, o movimento regula hormônios ligados ao crescimento tumoral, reduz inflamações, fortalece o sistema imunológico, melhora o funcionamento intestinal e auxilia no controle do peso — fator associado a pelo menos 13 tipos de câncer.
Os benefícios também se estendem a pacientes que já receberam diagnóstico oncológico. Pessoas fisicamente ativas durante e após o tratamento apresentam menor risco de recorrência, menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida. “Com orientação médica, o exercício deve integrar o plano de cuidado”, destaca Medina.
A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de fortalecimento muscular duas vezes por semana. Ainda assim, a principal mensagem é clara: qualquer movimento é melhor do que nenhum.
Para o diretor do CECAN, inserir pequenas oportunidades de movimento na rotina é um passo fundamental. “Não é sobre desempenho. É sobre constância. Movimento é decisão diária — e está ao alcance de todos”, conclui.




