Perdeu a mão do jogo
Acordão entre dois poderes tinha Lula como alvo, segundo Cantânhede
A jornalista Eliane Cantanhêde fez uma boa síntese no Estadão de 1 de maio sobre o que se passou em Brasília na última semana de abril.
Ela viu conspiração entre o Legislativo e o Judiciário, tendo o governo Lula como alvo. Um acordão entre os dois poderes.
A relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segundo a articulista, foi a saída para uma artimanha e tanto que colocou o caso Banco Master em banho-maria.
Proteger nomes do Supremo, como o próprio Moraes, R$ 129 milhões de vezes envolvido na falcatrua de Vorcaro, e do Congresso, com Alcolumbre R$ 400 milhões de vezes envolvido no mesmo escândalo, levou a uma cilada para Lula.
O dono do banco Master seria, portanto, uma peça mortal para ministros e parlamentares em caso de uma CPI, que avançava lentamente no Congresso. A saída para retardá-la e colocá-la no quarto de quinquilharias foi quebrar as pernas de Lula.
Rejeitar Jorge Messias para o STF, no lugar de Luis Barroso, e reduzir a pena de Jair Bolsonaro, além, obviamente, da turma doida que foi a Brasília no dia 8 de janeiro depredar instituições dos Três Poderes, compõem o jogo de xadrez, digo, do acordão.
Porque Moraes antevia uma dobradinha entre Messias e André Mendonça para o aprofundamento na investigação do maior esquema de corrupção elaborado no Brasil contemporâneo, com a lama invadindo todos os poros dos Três Poderes.
Quem parece estar ganhando com isso, por enquanto, é Flávio Bolsonaro, que se fortalece na disputa contra Lula nas eleições presidenciais. Quem perde com isso, tudo indica, é o próprio Lula, que se vê enfraquecido diante dos demais poderes da República: Legislativo e Judiciário. Perdeu a mão do jogo.




