Tudo bem que a sessão do TSF marcada para esta terça-feira (15) não é para condenar Alexandre de Moraes. É apenas para a corte deliberar se abre ou não um inquérito para investigar sua relação com Daniel Vorcaro, o suposto dono do Banco Master.
A luta virulenta de Xandão e sua turma para tentar inviabilizar a sessão, porém, demonstra certa preocupação do grupo sobre o destino do ministro, caso a investigação seja aberta. Isso demonstra algo a mais do que uma tentativa de barrar uma iniciativa de Edson Fachin que consideram desnecessária.
Não há brasileiro que tenha dúvida sobre a conduta de Moraes — menos, claro, Reinaldo Azevedo —, com tantas mensagens de WhatsApp; por isso a reunião de hoje acabou ganhando uma dimensão superlativa. A maioria da população gostaria de ver se o STF é capaz de punir um dos seus. Coisa impensável há quinze dias. Mas ninguém acredita de fato que isso possa acontecer.
A sessão de hoje no STF não chega a ser uma final de Copa do Mundo. Mas os bolsonaristas estão babando de tanto rir daquele que usou mão de ferro para punir com 14 anos de prisão uma mulher que escreveu com batom no monumento da Justiça, em Brasília, a frase “Perdeu, Mané!
Não sabemos ainda se o Mané perdeu. Vai depender da conduta dos ministros que se opõem ao seu grupo. Pelos votos simulados, há plenas condições de Moraes ver com quantos paus se faz uma canoa. Pode haver pedidos de vista? Pode. Pode acontecer qualquer coisa adicional impensável? Pode. A caixinha é de surpresa.
Mesmo com o pedido de vista, que seria um recurso básico a ser usado pela turma de Moraes, há também a possibilidade de antecipação de votos do outro lado. Essa postura dos demais ministros já caracterizaria a derrota moral de Moraes em duplo sentido.
O adiamento evidenciaria a tentativa de fugir da questão, empurrando a conversa para o infinito e além, apenas com recursos regimentais. A regra deveria ser: quem não deve não teme. Se teme, deve, evidentemente. O segundo – com a antecipação dos votos –, por ficar claro que ele já foi condenado pela corte e deveria jogar a toalha. Alguém poderia escrever na toalha, caso isso ocorra: “Perdeu, Mané!”





